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domingo, 14 de março de 2021

A princesa salva a si mesma neste livro - Amanda Lovelace



A princesa salva a si mesma neste livro - Amanda Lovelace (Livro 7. jan/2021. 208p.)
Editora: Leya  
Ano: 2016
Nota: 3,5/5
Gênero: Poesia 

Este é o 1º livro de poesias da série "As mulheres têm uma espécie de magia", em que a autora fala sobre sua vida  com momentos bem delicados, de uma "princesa" que desmorona nas cinzas e se torna "rainha" - ela msm, fala sobrre td q perdeu, q amou, lutou e seus passos pra sobreviver. O  3º livro, explica isso mais claramente (resenha do próximo post). 
Eu comecei a lê-la pelo segundo, ganhei de presente, em 2019, e me apaixonei pela autora, inclusive é o meu livro preferido dos 3 ("A bruxa não vai para a fogueira neste livro") pq ela fala de machismo e feminismo, de empoderamento e esclarecimento desses pontos de uma forma marcante, forte, debochada e divertida. E ela diz q, nesse livro, ela fala da "princesa" que sobreviveu e q, agora, se vingaria. A bruxa revoltada, poderosa, q ainda não estava pronta pra abrir seus segredos.
em "A princesa salva a si mesma neste livro" senti mta tristeza e mais cunho autobiográfico do q no 2º. Ela faz poesias sobre a maternidade, sobre como ela pode ser tóxica e qnts expectativas os filhos sentem em relação a isso. Tem poesias sobre mães abusivas e mães respeitosas.
Ela ainda aborda questões sobre bulling com mulher gorda, logo, tem poesias sobre o corpo, sobre empoderamento e aceitação, q abrange outros corpos, não só o corpo gordo. Tem ainda poesias sobre relacionamentos abusivos amorosos, de amizade; poesias sobre amor, sobre amizade, sobre ser filha e irmã, o que mexe mt cmg. 
A segunda parte, gira mais em torno de poesias sobre decepções amorosas, perdas e mortes. Essa parte foi bem triste!!
As partes seguintes são de poesias mais alegres, em alguns momentos, mais empoderativas, em que Amanda faz poesias a respeito da relação dela com um homem que deu mt certo. Mas tb fala de machismo, feminicídio, e, no finzinho, sobre humanidade.
Em suma, as poesias mostram o qnt Amanda sofreu, mas o qnt ela evoluiu e ainda lida com seus traumas, e seus livros contribuem pra q outras princesas se tornem rainhas, bruxas não vão às fogueiras e sereias voltem a cantar, empoderando mulheres, e mostrando um empoderamento possível, cujas lutas são reais, logo, as armas tb devem ser.

 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

A bíblia sem preconceitos - Marcos Gladstone



A bíblia sem preconceitos - Marcos Gladstone (Livro 7. jan/2021. 51p.)
Editora: Não achei
Nota: 5/5
Gênero: romance (não ficção) 

Eu ameiii este livro e foi indicação da minha eterna treinadora e capitã, Thami. Ele se configura em um estudo q faz apologia à homossexualidade justificada na própria bíblia e desmitifica preconceitos em relação a esse público. 
Na apresentação e introdução o autor mostra q Jesus é amor, q Deus não despreza e discrimina ngm. Além disso, as diversas traduções da bíblia e suas influências particulares, podem ser equivocadas e manipuladas para interesses individuais e de controle. A seguir, apresentarei brevemente as discussões tratadas nos capítulos deste livreto e citarei partes do texto q me marcaram pra instigar vcs à leitura.

1- "Não é a primeira vez q a bíblia é usada para o preconceito"
Aqui, o autor mostra o livro em questão não deve se analisado e vivido apenas como regra de vida, sem levar em consideração o contexto sócio-cultural da época. Cita, como exemplo, a escravidão e a subalternização das mulheres como algo aceitável e certo pro contexto e, hj, inadimíssiveis.
"Deus vê o coração, sem cor, sem, raça, sem gênero, sem orientação sexual."

2- "Jônatas e Davi - namoro ou amizade?"
Este capítulo foi deslumbrante pra mim!! Eu já tinha ouvido falar sobre isso, mas nunca me dediquei ao assunto e realmente, tô 99% convencida de q eles não foram apenas amigos!! Aqui ele aborda os tipos de amor existentes no grego, o q amei! Puxando sardinha pro meu lado, né? rs.. Além disso lança vários questionamentos sobre essa "amizade" entre os dois.
"Sinceramente, nunca vi um homem q tivesse apenas amizade por outro homem dizer declarações sentimentais tão fortes, ter encontros de amor a ponto da alma de um se juntar a do outro, de se encontrarem privadamente, se abraçando, se beijando."
"(...) maravilhoso me era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres" (II Samuel 1:26). 

3- "Pode ser possessão demoníaca?"
O autor aborda a questão da cura, da libertação q se propaga e se direciona aos homossexuais, ex., "Ngm fica liberto de uma doença e continua tendo os 'sintomas' da doença". Antes de ler esse livro eu já me questionei e falei sobre isto: não existe passagem bíblica em q Jesus tenha curado homossexuais ou libertado nenhum deles de demônios. E eles já existiam.

4- "Deus criou o macho e a fêmea"
Rs.. Este é um dos argumentos mais comuns usados contra homossexuais. Deus criou humanos para procriar, até pq, naquela época, o mundo precisava ser povoado. Mas sabemos q nem todo hétero deseja procriar, então, na minha opinião, esse n é um argumento plausível. Tem ainda a questão do desejo sexual, de desejo não natural, mas nem todo gay, por ex., tem prazer no sexo anal. Prazer sexual vai mt além de órgãos genitais.
O autor tb esclarece a confusão entre gênero e orientação sexual, q são coisas diferentes.

5- "Procriação sim, mas e os eunucos?"
Aqui eu descobri q os eunucos não eram apenas aqueles caras q escolhiam servir o rei, eram "castrados" e viviam no harém, entre as mulheres do rei, dentre outras funções, eles cuidavam dessas mulheres e as preparava pro encontro com o rei. Eles eram gays tb. Cuidavam das maquiagens, das joias, das roupas das mulheres. Historicamente isso é comprovado, como se pode ver em filmes de época, por ex. Alexandre, o Grande, era um eunuco, grd amor da vida do imperador. O eunuco, pro qual Filipe pregou e q ele batizou (Atos 8), era funcionário da Rainha Etíope, Candace.

6- "Homoafetividade e os traumas sexuais"
Esse é outro argumento q as pessoas usam pra justificar a homossexualidade como um erro e uma doença q tem tratamento: traumas vividos na infância. Aqui, o autor usa como ex. a história de conhecidos q tiveram problemas familiares na infância e q não tiveram. Um, filho de pastor, família perfeita (inclusive ele), e é gay; outro, abusado sexualmente pelo pai até os 13 anos de idade, é hétero. Ou seja, justificativa rasa e falha.

7- "Sodoma e Gomorra (Gênesis 18:19)"
Esse foi um capítulo bem curioso tb. Eu já tinha pensado a respeito, o texto não deixa claro q Deus destruiu a cidade pq eram homossexuais, mas sim, q as pessoas eram sem escrúpulos, não respeitavam ngm, eram desumanas, "rejeitaram o conhecimento" (Oseias 4:6). Até pq, naquela época, "violentar sexualmente 'visitantes'" era "uma forma de intimidar e refrear o envio de espiões". 
O autor justifica e argumentar, embasado na história e na tradução, q a homossexualidade abominável era aquela usada para humilhar alguém, como faziam em repulsa a estrangeiros, "isto é exatamente o contrário da vontade de partilhar afetivamente uma vida a dois". Tem tb a questão de relação homoafetiva em rituais pagãos, como tinham as heteroafetivas tb.
E aí tem uma questão, o autor usa o o versículo 49, do cap. 16 de Ezequiel pra justificar qual foi o erro de Sodoma, mas no versículo 50 tem especificamente a citação à homossexualidade, e o autor n cita nem argumenta, o q deixa seu argumento falho ou incompleto, neste caso.

8- Levítico 18,22 e 20,13
As pessoas usam esses versículos como base pra abominação da homossexualidade, porém, o autor usa o questionamento de uma ouvinte de rádio, q questionou uma locutora homofóbica. Ela traz a questão do sacrifício do bezerro; tocar num cadáver de porco e se tornar impuro; comer marisco era abominável; ter ctt com mulher no período menstrual; plantação de diferentes sementes no campo; cortar cabelo era proibido; aproximação do altar de deus se tiver um defeito, como deficiência física ou uso de óculos, por ex.; e a posse de escravos. Eu achei brilhante!!
Ponto importante: A palavra "abominação", no antigo testamento, é utilizada num contexto de IDOLATRIA em toda lei. É um ponto q pretendo aprofundar nas traduções.

9- Romanos 1, 21-28
Esse é o versículo mais comumente citado pra abominar os homossexuais. O autor traz a história romana (e tinham as gregas anteriormente) pra explicar o q significavam as relações homossexuais, comuns à época. Em q a mulher era necessária apenas para procriar; prazer, os homens tinham com outros homens, isso era honroso e digno aristocraticamente. Agora vc vê, né? rs..
Argumenta q a inaceitação aqui era pelo msm motivo da anterior: idolatria, humilhação, uso da relação homossexual q não fosse pra fins afetivos.

10- 1 Coríntios 6, 9-10 e 1 Timóteo 1,10
Aqui o autor traz as reais traduções sobre "malakoi" ("mole") e "arsenokoitai" (tradução obscura, mas já foi traduzida como "masturbadores", em algumas épocas), palavras em grego, traduzidas como efeminados e sodomitas, respectivamente ou, "adúteros" e "homossexuais" ou ainda "homossexuais ativos" e "homossexuais passivos" (kkkk.. apelaram, essa é a versão da Nova versão Internacional (NVI)).
Mais uma vez, o autor argumenta o motivo real da homossexualidade abominável.

No final, tem a explicação de como surgiu a Igreja Cristã Contemporânea e sobre a vida do autor. 
Indico mt esta leitura, não (num primeiro momento) como guia de vida ou pra tomarmos como abolição da bíblia, mas pra questionarmos o q lemos e aprendemos.. Pra questionarmos o desrespeito e "semetência" na vida alheia. Até pq é um livro bem curto e o autor não aprofunda tanto as questões. É mais uma base pra buscarmos aprofundamento, e pra lançar a famosa "pulga atrás da orelha".
A resenha ficou um pouco longa, mas esse assunto é polêmico e mt caro a mim. Acho q vale à pena conferir, e mais, ler o livro! R$ 11,00, na Amazon.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

A cor púrpura - Alice Walker


A cor púrpura - Alice Walker 
(Livro 6. jan/2021. 336p.)
Editora: José Olympio
Nota: 4/5
Gênero: romance (clássico) 

O impacto dessa história já começa na primeira página e a segunda destrói o coração! Celie, a protagonista, é uma mulher preta e pobre, de uma cidade no interior dos EUA. Sofre estupro do padastro e tem a vida, quase inteira, vivida e marcada por mt sofrimento, humilhação, por situações q a anulava e a impediam de conhecer a si msm. O livro é uma espécie de diário (fictício), em q Celie escreve cartas pra Deus, pq ela diz q enquanto escreve não para de viver. Lá, ela coloca suas experiências, da maneira mais inocente, o q acaba deixando td mt triste; revela seus desejos; insatisfações; fala sobre a vida dos personagens q cruzam sua história; sobre sua relação com eles e, principalmente, com Shug Avery, sua salvação e perdição ao msm tempo. Depois, ela começa a escrever pra sua irmã, Nettie, q tinha fugido de casa, depois de Celie ter sido obrigada a casar, e tornou-se missionária na África.
A narrativa aborda mtas questões de violência contra mulher, mas a maioria delas não aceita essas imposições bizarras e lutam, morrem contra o sistema da época (início do séc. XX). Aborda ainda, de uma maneira simples e cotidiana a questão racial, gerando mtas reflexões impotantíssimas. Tem tb a pauta da sexualidade, da descoberta de si e a influência na descoberta alheia, essa abordagem se deu de forma fluida e tranquila, assim como qse toda situação no livro, talvez, pq fosse uma espécie de diário, n sei. Mas foi essa a impressão q tive, n tinha enrolação, nem tabus pra se falar das coisas.
Outro assunto envolvido na maior parte do livro é o da catequização, qnd Nettie contava em suas cartas sobre o trabalho missionário e os conflitos religiosos e culturais existentes nas aldeias, q N engoliram com facilidade a chegada de cristãos. Além disso, tinha a pauta da colonização e invasão de terras africanas, ela conta partes desse contexto e clarificar como  as colonizações se deram. 
Outra coisa q me toca mt e tem neste livro é a irmandade, o amor fraterno. Mt lindo o amor entre as irmãs. Teve ainda a questão do preconceito linguístico q me atrai demais e sobre a concepção sobre Deus. A visão q Shug tem sobre Deus é a coisa mais linda, e a q Celie tem é aquela mais comum e preconceituosa sobre ele, q o limita e é ilógica. Nettie Tb fala sobre isso em suas cartas e explica pq mudou a visão q tinha e q Deus estava em td e era mt mais do q poderíamos imaginar, q já ouvimos falar e ela descobriu isso com o trabalho missionário.
O final foi feliz, pelo menos, embora td se encaminhasse pra desgraça e aí tem um truque de indução literária, q eu caí, mas amei a surpresa. Foi perto do fim da vida de todos os envolvidos, mas deu certo. 
No geral, a história é bem pesada, uma realidade, né? Mas é tb mt "aconchegante", tocante e íntima, eu curto isso. Leiam!!! 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Os sete maridos de Evelyn Hugo - Taylor Jenkins Reid

 


Os sete maridos de Evelyn Hugo - Taylor Jenkins Reid (Livro 4. jan/2020. 360p.)

Editora: Paralela
Nota: 5/5
Gênero: romance (ficção) 

Antes de mais nd, um fato cômico: qnd minha irmã viu esse livro na minha mesa, ela disse: "Sete maridos??? Eu n dou conta de um". Eu não aguentei!!! Kk.. E disse: Eu não dou conta de nenhum!". Fiquei pensando como os títulos podem dizer tantas coisas. 
Q livrão!!! Já queria ler dsd o ano passado e tinha mta curiosidade, então, neste ano, entrei numa LC e foi incrível!! 
É uma história cheia de violências, machismo, submissões, obrigações, felicidades e infelicidades, negação de si, arrependimentos, perdão e amadurecimento. Facilmente, se tornou um dos meus preferidos e o melhor do ano até agora. 
Já comecei amando pelas referências a livros e filmes, em seguida, por ter personagens negras na narrativa e em papéis de protagonismo. Fora o enredo q é perfeito! Eu N vi defeitos. 
A história tem como protagonista uma artista das telinhas, Evelyn Hugo, q decide selecionar uma jornalista, Monique, pra falar de sua vida, o q é um grd mistério, pq essa jornalista n tinha prestígio algum e a revista pra qual trabalhava n era das melhores da cidade. Mais tarde, Monique descobre q ela deseja algo mt mais surpreendente do q falar sobre o leilão de seus vestidos. 
Evelyn fala de seus 7 maridos e as histórias não expostas no mundo da fama. O primeiro é Ernie Diaz, q foi uma espécie de ponte pra q ela chegasse onde queria no mundo da fama. O segundo, Dom Adler, a primeira paixão de Evelyn, mas era um embuste abusivo e com um ego do tamanho do planeta terra. O terceiro, Mick Riva com qm ela teve o casamento mais rápido, mas, ao msm tempo, mais vinculado a ele. Porém, ela fez questão de se desfazer desse vínculo. O quarto, Rex North, um dos caras mais desejados do mundo da fama, mas ela n queria (e não teve) nada com ele. Tb não durou mt tempo. O quinto, Harry Cameron, foi o q durou mais, 15 anos, era seu melhor amigo, com quem teve uma filha e viveram mt bem. O sexto, Max Girard, foi a segunda paixão de Evelyn, mas Tb N durou pq ela percebeu q os interesses de Max eram outros, e não aqueles q geralmente levam duas pessoas a casarem. O sétimo foi Robert Jamison, mais uma relação de aparências e interesses, mas, dessa vez, algo mais maduro e por uma causa importante (necessária), assim como com Harry. 
Foi inacreditável como Evelyn fez sua grd descoberta no segundo casamento e ainda teve mais 5 depois disso!! Chocadíssima!! Fiquei me questionando o q a levaria a viver tal vida, depois entendi. 
Uma coisa foi Mt curiosa e bizarra: as tretas, injustiças e desonestidade no mundo das celebridades. Fiquei pensando em vários casamentos e relacionamentos expostos na Internet atualmente, deve existir mt mais fraude do q vdds neles. 
Em alguns momentos, fiquei revoltada com Evelyn, egoísta, aquele tipo de pessoa q qr td ao msm tempo e n se importa tanto com os sentimentos alheios, q faz td pela fama e ainda se acha certa. Entendo q ela era nova, teve uma família complicada, era deslumbrada e via a fama como td na vida, ainda mais por conta da influência da sua mãe e de td q elas viveram. Enfim.. Amo-odeio! Rs
Célia (qm leu/ler vai saber pq ela é importante na narrativa) tb amei-odiei.. Manipuladora, mt emocionada e impulsiva, só pensava no amor e não racionalizada seus impulsos. Além de ser abusiva tb, em alguns momentos, pra conseguir o q queria com Evelyn. 
Monique não julguei em momento nenhum, apenas no final, depois de sua revolta, questionei se ela deveria n ter feito realmente nd diante da decisão de Evelyn.. Uma questão complexa.. 
Mt complicado fazer essa resenha pq o enredo gira em torno de uma revelação q, se eu fizer, estarei dando o maior spoiller dessa história, além do último, q é a razão pela qual Evelyn escolhe Monique. E foi Mt chocante pra mim! A narrativa tem mtas descobertas, teve mts partes em q fiquei de boca aberta. Eu não queria q ele acabasse :(
Enfim, leiam e n vão se arrepender! Me causou mts sentimentos, eu chorei horrores, tive raiva, sorri, fiquei triste, amei e odiei mtas situações e todos os personagens, só n odiei o Harry, o mais perfeito de todos, inclusive, o capítulo sobre ele foi o melhor! 


domingo, 31 de janeiro de 2021

Desafio Leia Mulheres (janeiro): "Vasto Mar de sargaços" - Jean Rhys

 


Desafio Leia Mulheres mês de Janeiro - Autora latino-americana
Vasto mar de sargaços - Jean Rhys (Livro 4. jan de 2021. 192p.)

Editora: Rocco
Nota: Não acho justo dar a nota sem ter lido "Jane Eyre", mas pela riqueza de conteúdo literário dou 4/5. Não pela história em si.
Gênero: Romance psicológico 

Já comecei o desafio sendo impactada e com uma leitura mt louca! Esse livro me lembrou "A confissão de Lúcio", de Mário Sá-Carneiro, um clássico português, q é doido tb, mas com as explicações da professora e acompanhada de textos críticos, se tornou um dos meus preferidos por ter uma narrativa tão inteligente! E tenho a impressão de q seja o caso desse livro tb, mas me falta apoio.
Rhys pegou a personagem Bertha de "Jane Eyre", romance de Charlotte Brontë, a "louca do sóton". Eu n sabia disso pq nunca li o romance (embora queira mt), mas essas informações estão no prefácio. Ela, assim como a autora, era Dominicana (Caribe) e passam a sua vida na Inglaterra. Bertha, tem seu nome mudado pelo marido, a fim de ter sua personalidade mudada tb, esperava-se q ela se tornasse contida, submissa e passiva. O contexto sócio-histórico, na Inglaterra, estava na era vitoriana, o qual era mt violento pras mulheres. Os costumes e a moral eram vividos e impostos severamente. A mulher q saía do padrão era considerada louca e os piores castigos eram dirigidos a elas.
Antoinette é a protagonista da narrativa, no começo, uma menina bem sofrida, sem pai (mas, depois, com um padrasto) e com uma mãe super abusiva, q a rejeitava e smp q podia lhe dirigia um insulto. Foi bem triste. Mais tarde, houve um acidente em sua casa, o q levou à morte de um familiar seu e sua mãe ficou pior do q já era. Em seguida, ela é levada a um convento, depois se casa e a história se desenrola nesse momento.
O início, aparentemente solto e sem sentido, começa a ser explicado e o quebra-cabeça vai tomando forma, a respeito da vida de seus pais, de seus "criados", aparecem tb vinganças e desconfianças.
O enredo aborda questões sobre choque de culturas (branca e preta, especificamente, ingleses e jamaicanos). Antoinette, pros brancos é considerada "preta branca" e pros pretos, "barata branca", o q a agonia mt, atrapalhando o seu reconhecimento identitário. Além disso, tem a questão de os negros serem vistos como feiticeiros e motivos de preocupação, já q causam ameaça com seus ocultismos e mentiras. Existem ainda mts pontos q caracterizam a escrita do início do séc. XX nesta obra, como personagens se sentindo perdidos, "sem identidade", num mundo sem sentido, smp deslocado, sem lugar de pertencimento; referências ao espelho, ao passado, ao quarto, ao retorno para o passado, a ideias q se opõem (lua e sol, claro e escuro, vida e morte, desejo e sua negação, sonho e realidade, dormir e acordar), loucura, e fingimento. 
Além disso, percebi elementos da melopeia (o texto dava a impressão de que era uma música, em alguns momentos), principalmente, no final do livro, era possível visualizar uma espécie de magia, feitiço e transpassava emoções, apuração de sentidos. Inclusive, essa narrativa é cheia de jogo de palavras, de ideias com mais de um sentido, tem uma passagem sobre morte mt interessante, cujo cenário é um casamento:
"Eu me lembro muito pouco da cerimônia em si. Placas de mármore nas paredes celebrando as virtudes da última geração de fazendeiros. Todos benevolentes. Todos senhores de escravos. Todos descansando em paz. Quando saímos da igreja, eu peguei na mão dela. Estava fria como um gelo no sol escaldante" (p.73, grifos meus).
O final foi mta viagem!! Talvez, eu tenha ficado perdida por n ter lido "Jane Eyre". Então, vou fazer a leitura, q já qro há um tempo msm, e voltar a este clássico. Narrativa mt curiosa.. 
Enfim, é uma história com alguns suspenses (leves), questões raciais e identitárias, desconfianças, tragédias e algumas incógnitas. Recomendo demais e quero alguém pra discutir cmg.
Curiosidade 1: Jean Rhys era um pseudônimo de Ella Gwendollen Rees Williams Roseau. 
Curiosidade 2: O Mar de Sargaço está localizado no Oceano Atlântico, próximo ao Caribe. Sargaços são espécies de algas q se proliferam mt nesse mar, por isso o nome. Ele é cercado de ilhas, dentre elas a Jamaica, cenário escolhido pela autora pra fazer este romance.
Curiosidade 3: A capa do livro só tem a ver com a personagem do romance "Jane Eyre", q é a msm personagem deste livro. No primeiro livro, a personagem vê/sente Antoinette saindo pela janela do sóton em q estava presa e só ficando Bertha, aquela q não era ela de vdd. As duas eram a msm pessoa, mas seu marido a renomeou, querendo q ela se transformasse. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Por favor, cuide da mamãe - Shin Kyung-Sook

 

Por favor, cuide da mamãe - Shin Kyung-Sook (Livro 4. jan/2021. 240p.)

Editora: Intrínseca
Nota: 3,5/5
Gênero: romance (ficção)

Sabe o q tô achando? Q amo narrativas coreanas, talvez, por enquanto, as contemporâneas, pq foram as únicas q li. Q narrativa é essa, minha gente!!! E a grd chave dela são os diferentes narradores e seus tipos.
A história é sobre o desaparecimento de uma mãe, mt idosa, de 4 filhos, um ex-marido, noras, cunhada, uma mãe (n sei se viva ou morta); em q os personagens narram sua relação com essa mulher. Ela é a protagonista, mas só se narra em um pequeno trecho do último capítulo. Além disso, o texto não possui um narrador fixo em terceira pessoa ou primeira, ou um narrador onisciente, os personagens da história narram sobre ela, cada um em capítulo. Eu achei isso mt legal! Não me lembro de ter lido nd assim antes.
Parece q o segundo protagonista (pq a primeira é mamãe) de cada capítulo se responsabiliza ou é acusado de culpa pelo desaparecimento da mãe, pela sua omissão e falta de reconhecimento por td q ela fazia. Tive tb a impressão de q a coroa sumiu pra fazer cada um refletir em suas vidas e ações. Mas o final deu a entender outra coisa e n vou dar spoiller.
O primeiro capítulo é narrado pela filha mais nova, q era escritora, mas ao longo do capítulo, eu me confundi. Pq ela narra como se tivesse falando dela, mas na segunda pessoa, por exemplo: "você sabe q sente falta de uma pessoa, qnd ela some", era como se ela tivesse falando se dirigindo a alguém, mas a incluindo no discurso, poderia ser Tb uma conclusão generalista a respeito do q ela abordava. No decorrer do capítulo, parece q ela tá falando de alguém pra outra pessoa e não dela msm. Essas confusões assim, me instigam mt, mas dão um nó. O segundo capítulo é narrado pelo irmão mais velho, em primeira pessoa.
O terceiro é sobre o esposo da protagonista. Mas quem narra sobre ele e sua relação com mamãe é uma funcionária do orfanato q ela frequentava e ajudava financeiramente, além de ter apadrinhado um menino e ngm sabia disso. Essa mulher conta o q mamãe falava pra ela sobre a relação dos dois e as impressões q ela tinha das histórias. A irmã do esposo, cunhada de mamãe, q mais parecia sua sogra, tb narra esse capítulo e a relação dela com a protagonista não era das melhores, mas a cunhada se arrependia disso. Além disso, ainda neste capítulo, há uma perda q faz mamãe desencadear depressão, além de suas outras doenças, e isso foi bem marcante pra narrativa e pra vida da personagem. 
O quarto capítulo foi bem confuso. A avó materna desses filhos narra a história, mas falando com sua filha, q, de repente, parece surgir (pq ela estava desaparecida rs). Nd é explicado e as descobertas continuam. Parece q ela volta ao passado ou q mamãe morre por um momento, ou nos dá a entender q ela morreu. Mamãe Tb narra esse capítulo e fala sobre seu estado de saúde física e mental e seus planos diante disso. Ela faz uma fala sobre o passado no presente e a interligação desses com o futuro, q resume td o q foi a narração desse livro: presente (sumiço  da mulher) cheio de passados (os familiares narravam td q tinham vivido com ela e as descobertas q iam sendo percebidas) q iam influenciar o futuro (retorno ou não da mulher). 
Esse livro foi gatilho, pra mim, com a questão da violência doméstica, principalmente a psicológica. E no q diz respeito à maternidade tb, com a questão da culpabilização (interna e externa) da mulher sobre a criação dos filhos. 
Só não dei mais nota pq o livro ficou mt confuso, em alguns momentos, como dá pra perceber nesta resenha, o q gerou um cansaço. Com certeza, gera a necessidade de releituras. É um livro denso, mas com questões literárias incríveis!! Foi indicação da Vanessa e agradeço por querer discuti-lo cmg! Uma experiência maravilhosa e de mtas reflexões!


sábado, 23 de janeiro de 2021

A vida invisível de Eurídice Gusmão - Martha Batalha

 


A vida invisível de Eurídice Gusmão - Martha Batalha (L. 2. jan/2020. 192p.)

Editora: Companhia das letras
Nota: 3,5/5
Gênero: Romance psicológico

Confesso q me decepcionei um pouco com esse livro. Acredito q tenha criado mtas expectativas sobre ele e não achei isso td.. Embora seja uma leitura instigante, q prende o leitor e mantém o desejo de continuar no próximo capítulo qnd o anterior acaba.
É o tipo de narrativa q apresenta coisas nos começos e vai explicando durante o desenrolar da história, eu amo isso! Tem muitos personagens, todos ligados à Eurídice de alguma forma e é mt interessante pq a autora contextualiza a vida de todo mundo, fazendo com q a gente não os odeie, mas q olhemos para além das suas péssimas características enquanto pessoas, q não são de todo ruins. Isso tb é uma coisa q gosto mt na descrição e formação de personagens: explicação sobre o passado, contextualizando-os pra nós, leitores.
A história se passa na zona norte do Rio de Janeiro, nos anos de 1940, aproximadamente,  cuja protagonista é Eurídice Gusmão. Uma muher do lar, com marido e dois filhos, mas essa vida não era suficiente pra ela. Porém, em td q ela tentava fazer pra ter o seu dinheiro, sua independência, sua identidade, era tolhida e o foi dsd criança. Até q, depois de alguns anos, ela se descobre (mais uma vez) e coloca seu desejo, sua vida em prática, sem impedimento e julgamentos. 
E, nesse momento, me pareceu faltar informações, a narrativa deu um pulo, ou eu perdi alguma coisa. Pois ela tinha tentado outras coisas e n dava certo, por que essa última deu, sabe? Enfim..
Os machismos q Eurídice viveu me incomodaram um pouco e eu tava só esperando o momento em q essa mulher ia reagir, minha gnt.. E com medo.. Se ela não desse uma reviravolta nessa história eu nem sei, Brasel!
No mais, amei a história de cada personagem, do contexto daquela época, costumes, além da citação de ruas e lugares aqui do RJ. Teve mt injustiça, indignação, reprodução sem questionamento de diversos comportamentos, uma história se ligando a outra, tinha hora q eu nem lembrava de q Eurídice q era a protagonista, tb curto mt isso.
Outra coisa interessante é a forma como as crianças são retratadas pela autora e os descobrimentos morais e sociais q elas vão fazendo ao longo de suas vivências. Aquela coisa de fofocas e mexericos, q é bem comum em novelas de época tb me cativam mt e foi perfeitamente bem retratada na narrativa e a ligação com a espiritualidade tb é bem marcante e divertida. Além disso, o narrador conversa com o leitor em alguns momentos e eu sou apaixonada por essa estratégia narrativa!! Uma das coisas q faz eu ser apaixonada pela jeito narrativo de Machado.
É um livro de linguagem simples, q retrata a época sem dificuldade alguma, divertidíssimo, revoltante e chocante em diversos momentos!! Eurídice e a maioria dos personagens rompem com os padrões sociais impostos, msm q, em alguns momentos, tenham se submetido a eles contra suas vontades. E a invisibilidade foi um marco na vida de Eurídice, msm qnd ela resolveu ser ela e se expandir pro mundo. Recomendo a leitura!