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terça-feira, 16 de agosto de 2016

"Em briga de marido e mulher, o Estado deve meter a colher: políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica" - Luciene Medeiros


          




Vinte anos se passaram da promulgação da Constituição Federal de 1998 e, de certa forma, ainda vivemos na "corda bamba", tentando consolidar conquistas, equilibrando-nos, tendo como norte a utopia de uma cidadania completa, embora saibamos que só teremos a cidadania possível. Pode-se avaliar que muitos avanços foram possíveis, graças à combinação da existência de grupos organizados de mulheres, com demandas bem fundamentadas e amadurecidas no ativismo e na reflexão teórica, com a capacidade de estabelecer articulações nacionais e internacionais. É essa característica dos movimentos de mulheres que nos possibilita manter acesa a resistência contra os fundamentalismos e não perder o rumo da caminhada.
Fala de Basterd (2008, p. 149) extraída desse livro.

Essa fala sintetiza o primeiro significado deste livro para mim: incentivo à resistência e à luta das mulheres pela conquista e efetivação de seus direitos.
O foco da autora é tratar a questão violência doméstica, mas esta envolve muito mais assuntos do que eu imaginava, e, aqui, a autora desenvolve muito bem sua metodologia, esclarecendo o contexto dessa realidade.
Inicia explanando sobre as bases que veiculam e afirmam a prática e o discurso da sociedade desigual/machista, no Brasil, que subalterniza as mulheres. A partir disso, explica, brevemente, o que são políticas públicas e como funciona a definição da agenda pública e sua primordialidade na garantia de direitos.
Dando continuidade, apresenta os movimentos de mulheres e feminista e sua importância na conquista dos direitos das mulheres, demarca duas grandes ondas desses movimentos, a primeira, aproximadamente, a partir de 1930 a 1970 e a segunda, a partir de então, com marco nas eleições de 1982, evento essencialmente importante para esses movimentos e à criação de mecanismos que definissem a agenda e conquista de direitos.
A autora traz, de modo especial, o que acontecia nos bastidores da política, nas câmaras, na Alerj, nos conselhos, nos partidos, o que foi muito interessante, já que não é uma área de conhecimento que muitos têm acesso e é importantíssimo saber o que acontece nessas instâncias. Mostrar isso, foi importante para que se já comprovado que todos os direitos conquistados hoje, principalmente, os das mulheres, não foram e ainda não são conquistados e garantidos de "mão beijada". Houve e há muita luta, resistência, abstenção, sofrimento particular para um bem geral.
A autora destaca ainda a Lei Maria da Penha, o porquê de sua existência, a quantidade dos casos de mortes e das violências significativas contra mulheres, que geraram afinca luta em busca de um sistema legal e prático que garantisse a segurança da mulher e o acesso a seus direitos em todos os âmbitos.
Finalizando, Luciene enfatiza sobre a criação, desenvolvimento e luta pela manutenção das Delegacias de Atendimento à mulher (Deams), o Conselho de Direito das Mulheres (Cedim), o Conselho Estadual e Nacional e demais conquistas como a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, o Centro Integrado de Atendimento às Mulheres (Ciam), os Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres (Niams), a importância das Conferências Nacionais de Políticas para as Mulheres com seus Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres pela  implementação e operacionalização dos direitos das mulheres.

Eu amei o livro e super recomendo!! A autora foi minha professora na graduação e sei sobre a sua luta e o quanto dedica esforços e estudos nessa área. Para os que julgam o movimento de mulheres e o movimento feminista e até mesmo sobre a existência do machismo, metas vezes, invizibilizado da nossa sociedade, deveriam ler para que entendam que a nossa luta diária não é "mi mi mi", não é "falta do que fazer" ou "falta de homem", lutamos por respeito e pelo nosso lugar de direito na sociedade. 


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Movimente-se

(...) Há poucas pessoas no mundo que eu ame de verdade. (...). Quanto mais conheço o mundo mais me sinto insatisfeita com ele; e a cada dia se confirma a minha crença na incoerência de toda personalidade humana e na pouca confiança que podemos depositar na aparência de mérito ou de razão.

Essa fala é de Elizabeth Bennet, personagem protagonista do livro "Orgulho e preconceito", de Jane Austen, escritora inglesa.
Esse é meu dilema atual e acredito que de muitos integrantes dessa nossa sociedade que "desce ralo abaixo". O mundo está um caos, as pessoas caminham sem saber para onde vão e o que buscam, o desrespeito existe desde as relações entre Estado e sociedade até as familiares e de mínima convivência.
Porém, reclamar sem sugerir e buscar solução é falácia, não muda nada, só conforma e desgasta. Cabe ressaltar que essa não é uma reprodução de fala do capitalismo, que mais exclui do que inclui e de um Estado que se desresponsabiliza de suas obrigações e culpa o lado mais fraco dessa correlação de forças, que somos nós, a classe trabalhadora, pobre e à margem da sociedade.
Essa massa, que é a maior parte da população, precisa se conscientizar do poder que possui e executá-lo, de que a classe média não está do nosso lado e só busca por interesses próprios, além da reconquista de seus espaços na sociedade que só afirmam a nossa perpetuação como desiguais e "excluídos", de que se nos unirmos esse país e suas relações podem ser alteradas sim!
Questione o que tem feito para essa realidade mudar e não apenas reclame e julgue.
"A esperança é a última que morre"! Nunca vou deixar de acreditar no ser humano e na sua força, enquanto protagonista da sua realidade.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Formalidade machadiana

Amável Formalidade, tu és, sim, o bordão da vida, o bálsamo dos corações, a medianeira entre os homens, o bálsamo dos corações; tu enxugas as lágrimas de um pai, tu captas a indulgência de Profeta. Se a dor adormece e a consciência se acomoda, a quem, senão a ti, devem esse imenso benefício? A estima que passa de chapéu não diz nada a alma; mas indiferença que corteja deixa-lhe uma deleitosa impressão. A razão é que, ao contrário de uma bela fórmula absurda, não é a letra que mata; a letra dá vida; o espírito é que é objeto de controvérsia, de dúvida, de interpretação, e conseguintemente de luta e de morte.
Trecho de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", em que o personagem Cubas observa como após a morte de D. Eulália, seu pai, Damasceno, teve que enfrentar a vida, segundo ele, graças a "amável Formalidade".
Passei amar Machado não por convenção ou "modinha", nem porque ele é o ícone da literatura brasileira, e sim, porque ele é cômico, reflexivo, educador e me faz sentir conversando com ele enquanto leio suas obras.

sábado, 4 de abril de 2015

"A fascinante construção do Eu" - Augusto Cury


Para quem se interessa em saber mais um pouco sobre a mente humana essa é uma boa indicação!!
É uma leitura que segue uma lógica didática e, talvez, para alguns, seja cansativa, mas a linguagem é de muito fácil compreensão. Por meio de tópicos e citações vou mostrar um pouquinho sobre o conteúdo do livro.
Obs.: Não considero esse livro como aqueles insuportáveis de autoajuda. Não tenho nada contra quem gosta, mas acho muito chato!
O autor baseia seu estudo na Inteligência Multifocal que engloba a psicologia multifocal (funcionamento da  mente, desenvolvimento da personalidade, a construção de pensamentos, formação do eu); a sociologia multifocal (processo de construção das relações sociais); a psicopedagogia multifocal (o processo de aprendizagem e de formação de pensadores); e a filosofia multifocal ( processo de interpretação e lógica do conhecimento).
Apresenta dois fenômenos que contribuem para o processo de interpretação:
- Gatilho de memórias ou autochecagem: produz primeiras reações (de emoção, impressão e pensamentos) através de estímulos físicos, sociais ou psíquicos.
- Autofluxo: pega as janelas do gatilho e amplia. Pode dominar ou controlar o eu.
Cury defende que todo radicalismo é fruto de imaturidade e insegurança (p. 38). 
Ele afirma que a memória não constrói emoções, mas pensamentos.
Destaca 5 mecanismos de formação do eu. São eles:
1- Memória genética, existencial e de uso contínuo que são os alicerces da formação do eu. Então, as memórias têm papel primordial na nossa formação como seres e seres singulares.
2- Classes de raciocínio, que são simples ou unifocal; complexo ou multifocal (leva em conta a opinião dos outros); lógico; abstrato (raciocínio íntimo e introspectivo), dedutivo e indutivo (se preocupa em questionar o que realmente pode ter acontecido). 
3- Tipos de pensamentos: essenciais (é inconsciente, está na mente e foi projetado); dialético (consciente, de descrição); e antidialético (consciente, de imaginação, representação das formas, interpretação).
4- Natureza dos pensamentos que podem ser real ou essencial e virtual ou imaginária.
5- Autoconsciência. Esta é produzida por três habilidades: se interiorizar, se observar e se mapear (fundamentação do raciocínio abstrato).
Para que haja a expansão do raciocínio multifocal/indutivo/abstrato há a necessidade da:
-pedagogia da cultura geral: relação para além dos pares;
- pedagogia da arte da dúvida: questionamento para exploração e expansão;
- pedagogia da crítica: refinação do processo de leitura e dados, construção de ideias.
As classes de raciocínio dependem do pensamento para se expressar, se expandir e se contrair (p. 101).
Nas páginas 113-115, ele cita as técnicas psicopedagógicas para a produção de pensamentos antidialéticos.
Prosseguindo, apresenta as causas da socialização, são elas:
- necessidade afetiva, busca de proteção e promoção de sobrevivência;
- relação com pessoas não apenas porque existem e são concretas, mas porque são representadas e têm significados em nossa memória;
- deve-se a solidão paradoxal da consciência virtual.
Explana os tipos de solidão:
- Abandono pelos outros;
- abandono por si mesmo;
- solidão social da consciência virtual;
- solidão intrapsíquica da consciência virtual (a solidão do eu em relação a si mesmo).
Faço uma citação interessante do autor: "Só temos a tendência de ser deuses por desconhecermos o funcionamento da mente que nos torna humanos.." (p. 103). Não faz sentido sermos tão soberbos. Quando buscamos conhecer nossa mente nos tornamos humildes, porque nunca estaremos satisfeitos com as nossas conquistas, somos seres inacabados, tudo que sabemos e temos nunca será suficiente para estarmos seguro de algo. Somos dotados de altíssimas capacidades, mas tudo é incerto e relativo por aqui.. rs. Acredito que é por isso que também necessitamos de alguém superior a nós, acima do que é ser humano,. Este ser daria sentido às coisas, mesmo que através da fé, que é algo ilógico para muitos.
Finalizo com uma citação sobre o que  é valorização da educação para uma boa sociedade, opinião que eu também defendo. "Os ditadores precisam do culto a celebridade, mas uma sociedade saudável precisa de mentes livres" (p.111). 

Busque sua liberdade!

"Dr. Negro e outras histórias de terror" - Sir Artur Conan Doyle

Não tem nada de terror!!
Este livro contém 6 contos de mistérios psicológicos, sobre os quais comentarei a seguir.

O caçador de besouros
O narrador é o protagonista do conto. Recém-formado em medicina, à procura de um emprego, vê no jornal um anúncio que o interessa, mas achou que suas exigências eram estranhas mesmo que ele se encaixasse nelas. O candidato deveria ser alto, robusto e se sair bem em situações inesperadas, além disso, era necessário que fosse especialista em besouros.
Quem o contratou foi o cunhado do paciente, este nem sabia que precisava de um médico e que receberia um. O paciente era colecionador de besouros, então, seu cunhado usou essa estratégia para que um médico se aproximasse do doente. 
O cunhado e o médico viajaram até a casa do paciente e lá, o último descobriu o porquê das exigências no anúncio, foram realmente situações inusitadas e justificáveis para a necessidade de internação, a qual era o objetivo do cunhado.

O homem dos relógios
Neste conto, o narrador conta a história de um homem que possuía, aparentemente, uma coleção de relógios de bolso, foi assassinado em um trem, por um tiro no coração. O mistério da narração é: este homem não foi visto entrando no trem, não possuía o bilhete de passagem, foi encontrado no quarto em que estava hospedado um casal, que sumiu do trem. Vale ressaltar que na única parada que o trem fez ninguém subiu ou desceu. Várias hipóteses foram levantadas, porém, apenas uma se aproximou da real. E a moral da história foi: Até que ponto a verdade deve ser escondida para dar uma segunda chance a quem se arrepende?

A caixa de charão
O narrador é o protagonista do conto. Ele se torna o preceptor (responsável por dar instruções e preceitos) de dois meninos que moravam num castelo e tinham um pai muito misterioso, que se chamava Bollamore. Este era carrancudo, sua aparência causava medo, viúvo, ninguém entrava em sua biblioteca e possuía uma caixa de charão que ninguém ousava tocar, porque ele não dava permissão. A senhora que limpava a biblioteca era a única que tinha permissão para entrar e foi demitida por limpar a misteriosa caixa. Onde Bollamore ia, levava consigo a caixa.
 Antes de se casar era alcoólatra, o que o fez ser conhecido como "Diabo Bollamore", mas encontrou sua esposa e tudo mudou, ela o fez mudar como pessoa. Entretanto, ela adoeceu, assim, temeu que com a sua morte ele retornasse aos velhos e péssimos hábitos. Isso não aconteceu. E ninguém sabia o que o levava a não retornar a eles.
Todas as noites ouvia-se gritos e súplicas de uma mulher pedindo socorro. Isso era pavoroso aos funcionários do castelo, até porque ninguém via mulher alguma adentrar o lugar durante todo o dia. Então, o preceptor se dispôs a descobrir o que acontecia e dentro da caixa estava o segredo.

Doutor negro
O autor conta a história de um médico que era apaixonado por uma moça e que por razões desconhecidas, embora diversas razões tenham sido sugeridas pelo povo, terminou seu noivado, o que causou muito sofrimento a noiva e a revolta de seu irmão contra o doutor.
Uma noite a governanta da casa ouviu um barulho que vinha da sala de atendimento do doutor. Assustada, foi imediatamente ao seu encontro, bateu na porta e o doutor, rispidamente, o que não era comum, ordenou-a que saísse de lá, assim ela fez. Mais tarde, uma paciente foi ao seu encontro pois seu marido passava mal, viu a luz acessa pela brecha da porta e o chamou, mas não obteve resposta. Pelo caminho, a paciente viu o cunhado do médico que o esperava numa moita. Todos conheciam sua desavença com ele.
No dia seguinte, a paciente voltou lá, a luz ainda estava acesa, insistiu em chamá-lo e pela brecha da janela viu que o doutor estava morto. A investigação chegou e o principal suspeito foi o cunhado, este foi preso. Durante o interrogatório, muitos foram ouvidos, mas o depoimento da ex noiva foi determinante. Disse que seu irmão não era o assassino e para salvá-lo, confessou que o doutor não estava morto. Vale ressaltar que os amigos mais íntimos reconheceram o corpo, porém o inimaginável aconteceu.

A relíquia judaica
O narrador conta a história de um amigo, da qual ele fez parte. Um arqueólogo oriental encontrara diversos utensílios usados na época em que existiam templos e sacerdotes, antes do surgimento de Cristo. Entre eles estava o Urim e Tumim, uma espécie de placa com 12 pedras preciosas, localizada no peitoral do sacerdote, este obtinha respostas de Deus pelo Urim e Tumim. 
Esse arqueólogo era responsável por um museu e ia passar responsabilidade ao amigo do narrador. Porém, na noite de comemoração da posse, o novo responsável pelo museu fez questão de que seu amigo não fosse embora, pois queria lhe mostrar a carta anônima que recebera com o intuito de reforçar a guarda no museu. Discutiram a esse respeito e chegaram a conclusão de que poderia ser o próprio arqueólogo, o que parecia contraditório, já que há tantos anos cuidou com tanto zelo daquele local e suas relíquias.
No dia seguinte, a placa de Urim e Tumim estava degradada. No outro dia, outra parte da placa teve a mesma alteração  e na terceira noite os amigos decidiram por si só espionar quem era realmente o autor de tais atos. Assim foi, e o descobriram, porém ele não era o real culpado e no assunto foi colocada uma pedra, após relato do flagrado.
Eis as questões do conto: um pai é capaz de fazer loucuras para que uma filha seja feliz e o amor verdadeiro regenera pessoas.

A sala do pavor
Esse foi o conto mais divertido!! Fechou o livro com chave de ouro.
Nessa sala uma bela e encantadora mulher lê uma carta que a denuncia, graças a sua reação, por estar apaixonada por um homem. Nesse instante, seu marido entra na sala, ela rapidamente esconde a carta entre os seios e ele adentra questionando por que ela queria envenená-lo. Ela fica sem reação tenta desmentir, todavia, ele é mais rápido. Diz que viu o maldito em sua penteadeira, fez exames que constaram a presença dele em seu sangue. Ela continua sem saber o que fazer. Ele vê a carta que ficou mal escondida entre os seios dela e lê. Descobre que o amante era seu amigo, Campbell, e que a estratégia de matá-lo era unicamente da mulher. 
Enquanto discutiam a governanta bateu na porta, informa que Campbell estava lá, então, ele mandou que o amigo entrasse na sala mesmo contra a vontade dela. Quando ele entrou, o traído confessou que já sabia de tudo e que essa não era uma estratégia para que o amante se entregasse. Fez a mulher decidir com quem ia ficar e o que não fosse escolhido deveria tomar o veneno e a mulher não sabia o que fazer, a essa altura o desespero tomava conta de si. 
Então, o traído sugeriu que o amante tomasse e ele entendeu que seria melhor, assim, o fez e a mulher entrou em pânico. No entanto, os três olharam para uma quarta pessoa que estava dentro da sala que interrompeu a cena e, assim, se descobre o fim do conto.

sexta-feira, 27 de março de 2015

"Se Deus fosse um ativista dos Direitos Humanos" - Boaventura dos Santos


O autor fala sobre as religiões e suas teologias políticas e de que forma isso implica na implementação dos direitos humanos e na sociedade. Usa como base as "principais" religiões mundiais: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.
O livro inicia-se com uma crítica do autor a ideologia dos direitos humanos, colocando em pauta seus verdadeiros fins, já que se executa sob as bases do capitalismo, que rege maior parte do mundo, o que causa muitas contradições na efetivação desses direitos.
Desde sempre a religião comandava todo o mundo em todas as suas instâncias, somente a partir do Iluminismo, que, de fato, a laicização foi implantada, pelo menos nos discursos e no desenvolvimento de políticas a respeito de algo relacionado ao Estado, à economia e à sociedade em geral. Entretanto, ainda hoje há a busca por essa separação - religião/Estado.
Boaventura discute as boas contribuições que as teologias políticas podem dar à efetivação dos direitos, no entanto, não deixa de questionar até que ponto podem fazer isso e onde deveriam estar seus limites, já que dentro dessas religiões existem violações aos direitos humanos. Assim, discute de que lado elas realmente estão, se dos opressores ou dos oprimidos.
Vale ressaltar que além de aludir às questões conhecidas como polêmicas nos direitos humanos, enfatiza a questão das mulheres e o feminismo dentro das religiões citadas anteriormente e as dificuldades que enfrentam para o desenvolvimento de medidas que alterem seu modo de vida e, consequentemente, a implementação dessas medidas. Afinal, não tem como falar de direitos humanos sem incluir a luta da sociedade e, principalmente, das mulheres por eles.

Todos os cristãos deveriam ser anticapitalistas!! Os cristãos devem seguir o exemplo de Cristo e o que mais Jesus repugnava era a exploração de uma pessoa sobre a outra, a injustiça e a desigualdade entre os "iguais". Isso tem em toda bíblia, já indico como leitura, em especial, Tiago e seus capítulos 4 e 5. Acredite!! A bíblia tem ótimos argumentos que dão a base à defesa de uma sociedade não-capitalista!
O autor não se posiciona claramente diante de seu polêmico e instigante título do livro e ele conclui despertando no leitor o desejo de buscar por uma resposta ou discutir a esse respeito. E continuo me posicionando.. Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos, Ele lutaria contra esse sistema perverso, desigual, sujo e explorador, que na teoria tem (ou teve [se é que teve de fato]) boas intenções, porém, se utilizou de outros caminhos. Esse sistema que, diversas vezes, nós, sem percebermos, reproduzimos e damos todo apoio.

domingo, 22 de março de 2015

Aliança no dedo esquerdo

Essa semana observei uma linda aliança, no dedo de uma jovem de igual beleza e, não diferente, suas pequenas mãos. Então, me questionei sobre o porquê de a aliança ser usada no anular esquerdo, depois que as pessoas se casam. Ontem, descobri o motivo (talvez, uma vertente que justifique esse costume) ao ler o livro "Os últimos lírios no estojo de seda", sobre as crônicas de Marina Colasanti. 
Os romanos acreditavam que no dedo anular esquerdo existia um nervo que o ligava diretamente ao coração, que é o "órgão do amor", assim, simbolizava a união de duas pessoas por amor. 
Achei super interessante ter me questionado a esse respeito e dias depois descobrir uma resposta.. 
Questionar e descobrir respostas dão sentido ao viver.