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quarta-feira, 18 de março de 2020

Macbeth - Shakespeare


Macbeth - Shakespeare (124p. [L.2/ jan- 2020])

Macbeth era um general muito considerado por seu rei. Este e outro general, Banquo, receberam
uma profecia de 3 bruxas q Macbeth seria o novo rei, mas Banquo teria mais prestígio. 
Então, Banquo conta para esposa e ela o influencia para armar um plano contra Macbeth.
Ao final da história, há devaneios do assassino e sua esposa, parte mais interessante da história.
Gostaria que tivesse mais participação das bruxas, elas são bem retratadas, mas suas aparições
são rápidas. Os rituais são brevemente descritos também.
Amei as referências mitológicas gregas, Hécate e as Harpias 💕
O texto tem jogos de palavras, paradoxos, algumas complexidades. Tem referência sobre a linha
tênue entre sono e morte; sonho e realidade; noite e dia; luz e escuridão; sentidos sensoriais; lucidez;
destino; visão no sentido literal e não literal; defesa contra a Natureza, considerado como nascido no
ser humano e uma exaltação da Natureza, meio ambiente, por exemplo, mas isso pode acabar se
confundindo em alguns momentos.
Percebi uma leve crítica às ações humanas, principalmente à honestidade, à verdade, à tirania do
governo; referência à virtude do rei, me recordei de Maquiavel e sua obra "O príncipe".
Foi o primeiro livro de Shakespeare que li. Imaginei que ele seria mais complexo e mais impressio-
nante e encantador, como os clássicos costumam ser. Mas não julgarei o coitado por apenas este
livro. 
O quanto amei: 🖤🖤🖤
*Curiosidade: o livro foi escrito no século XXVI. Shakespeare é um dos autores mais importantes
para a literatura e cultura inglesas, costumava escrever tragédias, uma delas é a famosa "Romeu e
Julieta".
*Dica: Não julgue um autor pelo q vc ouve falar sobre ele, busque suas próprias conclusões e, mesmo
assim, não se feche a elas.

Gostou? já leu algum livro de Shakespeare? O q achou? Deixe seu comentário 😉

*Foto 1- Capa do livro
Foto 2 - Shakespeare


O livro de Lilith: o resgate do lado sombrio do universal - Bárbara Koltuv



No desafio leia mulheres mês de janeiro (L.1/ jan-2020):

O livro de Lilith: o resgate do lado sombrio do universal - Bárbara Koltuv (182 p.)

Vc já ouviu falar sobre Lilith? "Uma bruxa"? "Demônia"? "A primeira mulher de Adão"? "A rebelde"?
"Nunca ouvi falar"? Pois aprecie um pouquinho desse curioso assunto. Koltuv faz uma pesquisa sobre
os diversos mitos que falam sobre essa mulher e questões que a envolvem. Isso desperta mtas
"pulgas nas nossas orelhas", nos levando a questionar o que aprendemos com base na cultura cristã
ocidental.
Como diversos assuntos na Bíblia, Lilith é uma discussão que se quer "abafar" e ocultar do conheci-
mento geral, o que me instiga mt. Segundo a autora, Lilith faz parte basicamente de 3 mitos: 1- a re-
presentação do que seria o contrário do sol, a lua; 2- esposa de Deus; 3- esposa de Adão, antes de
Eva/esposa de Satã. Em todas essas vertentes, Lilith era uma figura feminina, ousada, que não
aceitava rédeas e submissão, ou seja, não era "bela, recata e do lar". Daí, já podemos entender o
porquê de sua omissão: ela não poderia ser exemplo para mulher nenhuma, isso causaria um
"descontrole" absurdo. 
Existem passagens bíblicas, no original (hebraico e grego) em que Lilith é citada, mas como toda
"boa" e manipulada tradução, outros termos substituíram seu nome, sua existência. Ela foi retratada
como monstro, bruxa, demônio, o ser que deveria ser odiado e repugnado.
Abrir o ano com essa leitura, ainda mais após ter lido "A história da bruxaria", esclareceu mais coisas
sobre deturpações de ensinamentos e como a manipulação para o controle é tão presente no nosso
cotidiano, nesse caso, especificamente, no cotidiano feminino. Ainda hj, mulheres diferentes, que não
se rendem à falta de respeito, que lutam por seus ideais são mal-vistas, humilhadas, ridicularizadas.
Segundo os manipuladores, Eva sim, deve ser nosso exemplo, cuidadora do lar, da família, que
errou, é culpada pelo mal da humanidade (pq é assim que ela é retratada, o que se estende pra
qualquer mulher hj), mas que paga pelo seu erro, aceita sua culpa e segue, tendo que superar td por
obrigação, a fim de pagar uma dívida q parece não ter fim..
Este livro é o tipo que me encanta: histórias ocultas, que as pessoas dizem que não deveríamos
saber, traz novidades e questionamentos. Fica a dica de uma leitura que amei e pretendo me
aprofundar.
Agradeço a minha professora de Grego pela influência 😍
O quanto amei: 🖤🖤🖤🖤🖤
*Obs.: A autora só deixou a desejar um pouco na coesão, ligação entre um assunto e outro. 
*Curiosidade: Sabia que o cabelo longo destinado à mulher foi uma maldição lançada em Eva, pois
era uma característica de Lilith?
Mitologia é vida! 
*Dica: Leia sobre td, busque conhecimento sobre qualquer coisa, principalmente sobre o proibido, e
tire suas próprias conclusões. Conhecimento é poder.
Gostou? Compartilhe dúvidas e conhecimento nos comentários.

***Descrição das fotos:
1- Capa do livro
2- Lilith retratada na Antiguidade
3- Autora do livro

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Retrospectiva 2019

No ano de 2019, li 34 livros, fazendo as contas, nem eu acreditei. Bati o recorde da vida! Segue a listinha.

Janeiro
- Bíblia em ação: a história da salvação do mundo (Sérgio Carrielo)
- O recomeço (Gleise Sátiro)
- Antígona (Sófocles)

Fevereiro
- Armadilhas ficcionais: modos de desarmar (Carlinda Fragale Nunez [Org.])
- Persépolis (Marjane Satapri)

Março 
- Tropical sol da liberdade (Ana Maria Machado)
- Ética socioambiental (Josafá Carlos de Siqueira)
- As melhores piadas do planeta e da casseta também (Bussunda e outros)

Abril
- Eu sou Malala Yousafzai (Malala Yousafzai; Christina Lamb)
- A importância do ato de ler (Paulo Freire)

Maio 
- Mil pedaços de você (Cláudia Gray)

Junho
A confissão de Lúcio (Mário de Sá Carneiro)
- Laços de família - Contos (Clarice Lispector)

Julho 
- O amor como revolução (Pastor Henrique Vieira)
- O lado bom da vida (Mathew Quick)
- A primavera das chagas (Ana Carolina de Assis)

Até aqui, todos os livros estão com resenhas no blog, exceto "O amor como revolução". Comecei a fazer, mas não terminei. Então, em breve, vou postar.
Dos livros a seguir não tive tempo pra fazer as resenhas :) Mas vou colocar um breve resumo, quem se interessar por algum, faço uma resenha ou podemos trocar ideia.

Agosto 
- Um teto todo seu (Virgínia Wolf)
Ensaio (gênero literário) da autora para inspirar as mulheres a escreverem. É meio que um manual do que elas precisam pra isso. Virgínia foi convidada a falar em uma palestra sobre "mulher e ficção", destaca as condições sociais da mulher para a produção literária e faz um trabalho de pesquisa brilhante, que cita em seu trabalho.

- Iracema (José de Alencar)
Romance (gênero literário) da literatura clássica brasileira que fez parte de um projeto de construção da nacionalidade do país. O autor descreve a fauna e a flora do Brasil de uma maneira muito poética e simbólica, bem como a história romântica entre Iracema e Martin, que representavam o Brasil e os portugueses. O enredo se dá entre invasão, brigas, paixão, submissão e termina com morte e miscigenação (mistura de povos, etnias diferentes).

- Lucíola (José de Alencar)
Romance urbanista que descreve as relações e os costumes da época. Parece crítico, porque Lúcia era uma meretriz, é retratada como uma mulher bem-sucedida e dona de si, mas, na verdade, não é bem isso, pois o final dela acaba trágico.

Setembro
Neste mês foi só literatura grega *...*
Vale destacar que todas as literaturas clássicas citadas aqui são escritas, como conhecemos hoje, em formato de peças, pois eram apresentadas no teatro grego para educar a população.

- Filoctétis (Eurípides)
Filoctétis é um dos filhos de Aquiles, abandonado em uma gruta, machucado para que fosse morto. Ele tinha o direito de ficar com as armas do pai, o que, segundo o costume, garantia ao novo detentor das armas a mesma fama do antigo. Mas, de acordo com uma profecia, venceria a guerra de Troia quem tivesse as armas de Aquiles, então, seu irmão, Neoptólemo, sob a influência de Odisseu, vai ao encontro de Filoctétis e tenta roubar as armas. Uma narrativas de surpesas e dramas.

Édipo em Colono (Sófocles)
Essa tragédia (gênero literário da Grécia clássica) descreve como foi o exílio de Édipo, de Tebas para Colono. Antígona, sua filha, cuida dele lá, pois estava cego. Algumas histórias se desenrolam, como a busca dos seus filhos por apoio para reinar em Tebas. É uma narrativa de muito lamento do protagonista por todo estrago que o destino lhe reservou.

Medeia (Eurípides)
Essa é uma das minhas preferidas!! Medeia era uma feiticeira, abandonou sua terra e sua família por amor a Jasão, partiram para a cidade dele. Seu marido a usou e jogou fora, mas ela não deixou barato.. E que vingança, senhores! Medeia é um ícone de mulher, ainda mais pra época.

As troianas (Eurípides)
Essa é uma tragédia linda! <3 Mas pesada também. A história narra o destino das mulheres troianas, depois que os troianos perderam a guerra. É muito triste e forte. Hécuba, a rainha de Troia, esposa do rei Príamo, é a protagonista da história e se torna um marco na literatura grega. Helena, pivô da Guerra, segundo os guerreiros, também aparece na trama, tenta se defender das acusações da rainha, julgadas por Menelau, marido de Helena. Hécuba, bem como todas as troianas, teve um final muito triste e dramático. 

Outubro
- Helena (Eurípides)
Também uma das minhas tragédias favoritas. Única tragédia em que Helena é bem-vista em uma narrativa, ela é estrategista, inteligente, fiel ao marido, leal, dentre outras coisas. O autor descreve que Helena não foi à Troia, ficou no Egito durante toda a guerra, e quem realmente estava lá era uma espécie de "fantasma", uma outra Helena, seu duplo. É incrível!

- A greve dos sexos - Lisístrata (Aristófanes)
Essa narrativa é uma comédia (outro gênero literário da Grécia clássica). Como toda comédia da época, tinha a intenção de ensinar os gregos, mas por meio do deboche, do absurdo. N'A greve dos sexos, Lisístrata era a "líder" das  mulheres. Elas se reuniram pra pensar em uma estratégia de acabar com a guerra e decidiram não fazer mais sexo até que seus maridos abrissem mão da guerra. É realmente cômico o desfecho dessa história.

Novembro
- Helena: o o eterno feminino (Junito de Souza Brandão)
Este é um texto teórico-crítico sobre o feminino na literatura e na sociedade grega clássica por meio, principalmente, de Helena, mas exemplifica as mais diversas mulheres da literatura e da vida real, nestas eram raras. Um livro apaixonante, muito esclarecedor a respeito de preconceitos com mulheres que tiveram origem na sociedade antiga ou já existiam antes e que são bem fortes até hoje. O autor faz uma pesquisa incrível sobre a vida não só de mulheres, mas dos homens também, e apresenta seu estudo de uma maneira simples, curiosa e atrativa.

- Desmedeia (Denise Stoklos)
Essa é uma "releitura" contemporânea (recente, atual) sobre a obra Medeia. Uma crítica ao governo da época, década de 1990, na qual a autora chama o público a se dar um outro final, dando um final diferente pra Medeia nessa narrativa. Muito bom!!

- Macário (Álvares de Azevedo)
Esse é um clássico da literatura brasileira. Uma peça teatral que criticava costumes da época e tinha características do romantismo, período literário da em questão no momento. A narrativa é uma conversa entre Macário, um jovem; Penseroso, que representava o bem, mas falava coisas ruins; e Satã, que representava mal, mas era o sensato da história. Eles conversaram sobre o amor. É um drama só. O autor usa a referência de vários filósofos, poetas e literaturas. É bom ter uma ideia de quem sejam pra entender melhor a história.

- O cortiço (Aluísio de Azevedo)
Essa obra é espetacular! É um quase um livro de História. Conta sobre como funcionavam os cortiços no Rio de Janeiro. João Romão, o "síndico", quer enriquecer a todo custo e no final da história ele alcança seu objetivo, mas cometendo o cúmulo da bizarrice. 
As histórias do cotidiano dos moradores são muito boas, cheia de mistérios, confusão, violência, pobreza. As mulheres eram lavadeiras e os homens trabalhavam na pedreira. Ler textos de críticos literários sobre este livro é perfeito!

Dezembro
- Como esquecer (Myriam Campelo)
A história é sobre uma professora universitária de literatura americana que separou, foi "abandonada" pela namorada e passa o livro inteiro sofrendo por isso. Ela mora com um amigo, cujo companheiro faleceu. Ele leva outra menina pra morar com eles, esta tem uma prima que mexe com Júlia, a professora, mas não rola nada entre elas. O enredo se desenrola com esse sofrimento pós-término e a tentativa de se viver uma vida a diante disso.

- A bruxa não vai para a fogueira neste livro (Amanda Lovelace)
Esse livro é uma coisa perfeita!! É um livro de poesias. Com temática sobre mulheres, violência, feminismo, machismo, empoderamento. As poesias explicam exatamente o que uma mulher sente, pensa e vive esse machismo diário. Mt bom!

- História da bruxaria (Jeffrey Russel; Brooks Alexander)
Esse livro foi incrível. Esclarece os primórdios das confusões e preconceitos sobre a bruxaria, a história, as definições e diferenciações de termos gerados por ela ou não. Apresenta ainda o viés do feminino nessa "arte" que se tornou religião e as influências e contribuições da bruxaria em todas as religiões.

* Livros lidos em mais de um mês ao longo do ano

- Geo-história do português: estudos sobre a história e geografia do português na perspectiva brasileira (Claudio Cezar Henriques) - [mar-jul]
Este livro é um estudo de um professor da UERJ e seus alunos a respeito da origem e "evoluções" da língua portuguesa, suas influências e transformações, de acordo com o tempo e determinadas regiões. É um ótimo mecanismo de estudo sobre o assunto, tem uma linguagem mt acessível, lista de exercícios e chaves de respostas, além de diversas referências para aprofundamento.

- Ilíada (Homero - Tradução Carlos Alberto Nunes) - [ago-nov]
Clássico da literatura grega, a bíblia da literatura. Narrativa sobre a Guerra de Troia, causada, pra alguns por Helena, e por outros por Afrodite, a deusa do amor e da beleza. A culpa é de Helena pois ela era linda demais, o que fez com que os guerreiros lutassem por ela e Páris raptá-la. Mas Afrodite, Hera e Atena, sob influencia de Éris (deusa da discórdia), que, por vingança, disse que daria a maça de ouro para a mulher mais linda, questionaram Páris sobre quem era a deusa mais bonita, cada uma ofereceu a ele algo. A primeira ofereceu a mulher mais linda, Helena, caso fosse escolhida; a segunda, ofereceu reino e poder; a terceira, sabedoria e habilidade na guerra. Páris escolheu a primeira, mas Helena era casada com Menelau. Então, ele a raptou e guerra foi instaurada pelo resgate de Helena. Ilíada conta a história dessa guerra, em que o guerreiro Aquiles é o protagonista da narrativa.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Desafio julho - "A primavera das pragas" e "O lado bom da vida"

Desafio literário duplo cumprido ✅✅
#DesafioLeiaMulheres deste mês era a leitura de uma autora que escrevesse poesias. E como todo livro que posto tem uma história este também tem. Fui a uma oficina do mulheres que escrevem, do evento de literatura feminina em minha Universidade, no mês de maio, e conheci algumas autoras, comecei a seguir as meninas e vi sobre seus livros, comprei o da Ana Carolina de Assis, "A primavera das pragas".

         

Vale ressaltar que amo a arte dessa capa!! *...*
Confesso que ainda tenho muita dificuldade para ler e entender poesias, ainda mais as contemporâneas, escritas no atual período literário, que não sei quais as características desse fazer literário, nem se existem. Mas com umas prévias e analisando um pouquinho o contexto atual, ajuda bastante.
O livro contém 23 poesias, cujas principais características apresentarei a seguir, que mais me chamaram a atenção e despertaram a minha curiosidade. 
Um ponto-chave das poesias é o amálgama literário, a fusão entre seres humanos, animais e a cidade, entre essas, há, geralmente, uma comparação de coisas negativas inerentes às três.
A ideia de queda, decadência se faz presente também, por meio de palavras como gravidade, queda, a ideia de olhar para o velho  sendo jovem. Existe ainda a ideia de caos, ora fazendo referência ao amor, às boas experiências, ora a experiências de uma realidade injusta, dramática e decadente.
Na maioria das poesias, existe a ideia do novo e do velho, questões sobre as diferentes gerações, sem fazer diretamente uma reflexão sobre isso, mas apontando para essa visualização, para se perceber as diferenças existentes entre elas.
Fala também sobre mulher de uma maneira incomum de se ver e, talvez, indesejada de ouvir, Ana (a autora) é bem irreverente quanto a isso e é incrível.
Em todas, aparece bem clara a questão das injustiças, das frustrações, da revolta,  do segredo, muitas vezes, do aparente comodismo, mas, na verdade, funciona muito mais como uma crítica.
Eu amei todas, principalmente as do último capítulo. E compartilho uma do segundo capítulo:

minha mãe trabalhava vendendo perfume
numa fábrica de enlatados
de dia fumaça branca
de noite fumaça preta
sardinha atum toddynho
chegavam em caxias lá em casa

a primeira vez que atravessei a ponte
vi containers e calculei
pelas horas fora de casa
pela quantidade de horas fora de casa
só podia ser tudo 
sardinha enlatada

Façam comentários!! ;-)

Para o #Desafio1LivroPorMês escolhi "O lado do bom da vida", de Mattew Quick.


Escolhi este porque peguei emprestado há uns meses, mas por conta das exigências literárias do trabalho e da faculdade, acabei adiando a leitura. Eu já tinha visto o filme e era apaixonada, agora, depois do livro, fiquei ainda mais. Os detalhes da escrita me ganham sempre!
A história é sobre um homem extremamente apaixonado por sua ex-mulher, Nicki. Ele fica psicologicamente abalado e/ou desequilibrado por causa de um acidente ocorrido no passado, causado não diretamente por Nicki, mas gerou consequências para todos os envolvidos. Pat, o protagonista, teve que ser internado em uma clínica para pessoas que precisam de tratamento psicológico, e, após um longo período, que nem ele lembrava quanto tempo havia passado, teve alta e colocou todos os seus esforços em reconquistar a ex-mulher. Porém, parte da sua memória havia se "apagado" temporariamente e ele tinha esquecido da parte mais importante dessa história. 
Nesse processo, Tiffany aparece e a história se passa de uma maneira incrível, pois ela também sofre com traumas e perdas, esta abalada psicologicamente e os dois se entendem, se compreendem, mesmo que de suas maneiras. E isso é incrível.
Este livro, realmente, como comentou uma das pessoas que dizem algo sobre o livro na capa, é uma forma de nos mostrar a depressão (e as pessoas que passam por ela) e o amor de uma maneira diferente, de perceber que são tantas as causas e os "gatilhos" para a depressão e o amor, que nos levam a questionar o julgamento nosso de cada dia, quase que involuntário, e olhar para o outro com mais empatia e compreensão.
Precisamos estar atentos à maneira como as pessoas se sentem com as nossas zoações, nossas ofensas, pois isso trazer sérias consequências.
O livro é incrível, uma leitura que prende e, ao mesmo tempo em que você quer acabar logo, deseja que a história não acabe. Eu tô deslumbrada! Queria falar muito mais sobre o livro e a história, mas odeio spoilers!
Destaquei duas frase que Pat dizia com frequência para si mesmo a fim de obter sucesso em seu tratamento e vou levar pra vida:
"Suas ações que fazem de você uma boa pessoa não sua vontade".
"Você deve ser gentil ao invés de ter razão".

Obrigada, Rhayane! Amei!!

Por hoje é isso! Bjos.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Desafio junho - "Laços de Família" e "A confissão de Lúcio"

Desafio literário duplo cumprido 
Neste mês as leituras ficaram bem literárias e eu amo! Vou tentar ser mais acessível possível em minha escrita.
#DesafioLeiaMulheres do mês de junho era ler uma autora de contos. Como, no mês anterior, eu tinha ganhado de presente (*...* e amei) o livro "Laços de família", de Clarice Lispector, aproveitei a oportunidade, até porque não sabia ainda o que ia ler.


O livro contém 13 contos, pequenas narrativas de ficção, que autora apresenta relatos de cotidianos femininos do início do século XX. A escrita tem muito das características do modernismo na literatura. Neles, há relatos de frustração, não só de um amor desejado e impossível de ser vivido, mas de uma vida idealizada, que não tem como ser real ou que por acomodação ou desilusão se não consegue viver o que se espera. 
Os eu-líricos (a grosso modo, quem narra a história na história, um personagem criado pelo escritor, que conta a história) dos contos são todos mulheres, exceto em um, que querem ser no outro ou de outra forma, típico da literatura moderna. 
Há o questionamento sobre o papel e os deveres das mulheres na sociedade e, consequentemente, no espaço privado, na família. Essa crítica se dá de forma irônica, mulheres cansadas destes lugares que lhes foram impostos. O modo com que se referem a preceitos cristãos e citações bíblicas também se dá da mesma forma, ou seja, existia uma sátira aos costumes e crenças da época.
Parece ter ainda uma crítica sobre a necessidade de ter dinheiro, a necessidade do ter, o sentimento de possuir, de possessão. 
Sentimentos como culpa, ódio, arrependimento, de desejo são bem comuns nesses contos, tornando a leitura intensa, forte, pesada (no melhor sentido da palavra), já que é carregada de sentimentos e vivências cotidianas.
Existem muitas questões de discussão literária, mas não é meu objetivo aqui.

Para o #Desafio1LivroPorMês , o livro "imposto", porque tive que ler pra fazer uma prova de literatura portuguesa, foi "A confissão de Lúcio", de Mário de Carneiro, escritor português, do início do séc. XX.



Esta novela (gênero literário) é PERFEITA!! Deus me livre! Acho que a melhor ficção (há dúvidas de que seja exatamente uma) que li neste ano. Eu fiz a leitura em um dia, não dá vontade de parar!
Os poetas do século XX, neste caso, de Portugal, apresentavam em suas literaturas a frustração do sujeito moderno. Porque o eu-lírico (explicado ali em cima) deseja sair de si para ser no outro, descobrir um outro em si, o que gera a frustração, já que isto é impossível.
Uma saída provisória desse péssimo estado de espírito são as sensações e o que elas podem provocar, fazendo com que a arte e literatura tenham um papel imprescindível nesse processo.
Existem diversas interpretações para A confissão de Lúcio, cumprindo bem seu papel de um fazer literário que defende o devir-autor, uma escrita em movimento, ressaltando a intertextualidade, ou seja, a obra se faz em rede, em construção com ela mesma, com outras obras e com outros autores, bem como leitores.
A história, sob uma primeira interpretação, é sobre um homem (Lúcio), que propõe uma confissão sobre o crime que cometeu. E aí entra uma segunda interpretação ou o questionamento do texto, era uma ficção ou uma autobiografia do autor (Sá-Carneiro)? Lúcio era Marta e Ricardo ou não? Parece que ele desejava ser os dois, mas não podia, então, seria melhor matá-los e viver em uma prisão (talvez, interna, pessoal) durante 10 anos para resolver "falar" sobre isso.
Parece confuso e realmente é, mas é maravilhosa esta narrativa!! Eu segui a história pensando que seria uma coisa e, no final, foi outra, que não acabou tão clara. Me gerou diversos questionamentos e eu quase morri quando acabou rs
Eu amo histórias assim, ainda mais quando posso nitidamente trazê-la a vida real.
Bônus:
Este livro está disponível em PDF, online, só clicar: A confissão de Lúcio. Vale à pena, é bem curtinho.

É isto..

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Desafio maio - "Mil pedaços de você"

Desafio literário cumprido 

Neste mês, só consegui cumprir o desafio leia mulheres :( Os afazeres acadêmicos ficaram pesados, as leituras a trabalho também. Mas no mês de julho já cloquei tudo em dia. Em breve, tem as postagens. Ler ainda é mais fácil do que escrever sobre os livros, dá preguiça, falta tempo, mas é um exercício que considero importante.

#desafioleiamulheres do mês de maio era ler uma autora de fantasia. Queria ler jogos vorazes de novo, mas preferi ler algo novo. Com minha irmã tinha sugerido uma trilogia que ela gostou muito, resolvi conhecer. Só li o primeiro livro, talvez, leia os próximos (rs). O livro se chama "Mil pedaços de você", de Cláudia Gray.


A história é sobre ficção científica de uma família de físicos, composta por um casal hétero, suas duas filhas, e dois amigos "adotados como da família, jovens também. Eles produzem uma espécie do que conhecemos como máquina do tempo, o "firebird", que é capaz de levar as pessoas a outras dimensões com algumas limitações.
Começa com a morte do Pai de Marguerite, a protagonista, e, em seguida, o desejo dela e de Theo, o amigo adotado da família, de encontrarem Paul, o suposto ladrão do firebird, que suspeitavam de ter ido para outra dimensão, a fim de se promover com a criação do aparelho. Os dois partem para outras dimensões e começam a saga. 
Eles só iriam em lugares pelos quais já tivessem passado, na vida de suas dimensões "de origem" ou de suas outras vidas (pelo menos, foi o que entendi, já que eles foram em dimensões de outro século). Para cada lugar que viajavam tinham vidas diferentes, ão muito diferentes das suas e não tinham suas memórias apagadas, mas precisavam ativar um lembrete para se lembrassem, quando esquecessem.
Marguerite ligou os transportes do firebird de Paul e  Theo ao seu, então, quando eles mudassem de dimensão, ela, quando mudasse, iria para a que ele estivesse.
O enredo se passa nessa saga, eles mudando de dimensão, vivendo histórias diferentes, se apaixonando e se confundindo e, no final, o culpado não é quem imaginamos, a história toda parece se contradizer, mas as viagens dimensionais explicam tudo.
É um livro interessante, principalmente por essa ideia de dimensões, que instiga e gera curiosidades e por supera as expectativas em relação aos mistérios da história.

domingo, 21 de julho de 2019

Piadas da casseta


Este livro contém piadas escritas pelos integrantes do Casseta & Planeta, é fininho e pequeno. Escolhi lê-lo um mês em que já tinha cumprido meus desafios literários e queria ler um livro pequeno, antes que o mês acabasse, optei por este pra rir um pouco (rs, só que não). Quando eu era criança amava Casseta e Planeta, e acho engraçado como a gente não percebia preconceitos, ria deles e ainda achava que estava tudo normal, mesmo ainda sendo criança. Porém, as pessoas atingidas pelos preconceitos é que sabiam o quanto não estava tudo normal. 
Tem quase 20 anos de lançamento e fico chocada como em tempos atrás, não muito distantes, os preconceitos eram tão bem aceitos ou engolidos e tão facilmente falados!! Eram destinados aos negros, às mulheres, aos gordos e a muitos outros.
É bom saber que o humor brasileiro tomou outros rumos, repeita mais as pessoas e tem o objetivo de fazer rir e causar alegria apenas, sem fazer mal a ninguém.