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terça-feira, 19 de março de 2019

10 motivos para gostar de ler

Eu sou suspeita de falar sobre leitura, livros e tudo que envolva isto. Por amar ler e ter total consciência dos bons retornos que me traz, decidi compartilhar e contribuir para o despertar desse desejo nxs outrxs.
Antes de mais nada, desconstrua a ideia que você não gosta de ler. Esteja aberto a procurar entender o que realmente acontece com você em relação a leitura. Em breve, postarei sobre por que você acha que não gosta de ler, não deixe de conferir e buscar esse hábito tão valioso.
Agora vamos nós! 10 motivos para gostar de ler:

Aquisição de conhecimento - entender melhor o mundo e os outros

Este é motivo mais interessante, pra mim. O ato de ler nos proporciona adquirir conhecimento e de todo tipo! Quando lemos, conhecemos as coisas ou assuntos por conta própria, sem influência de interpretação de ninguém, fazendo com que possamos tirar nossas próprias conclusões a respeito de algo. O que dificulta o fato de sermos enganados, manipulados. 
Vale ressaltar que qualquer leitura está carregada de posicionamento e opiniões, muitas vezes, manipulações até de baixo nível, tanto de quem escreve, quanto de quem lê, porém, lendo, temos a autonomia de buscar respostas e confirmações sobre qualquer coisa.
A aquisição de conhecimento é importante, antes de mais nada, para entendermos melhor, não apenas, o mundo, suas regras, restrições, mas para entendermos e compreendermos melhor os outros. Quando nos dispomos a entender o outro as coisas caminham de maneira mais leve e tranquila. 
Conhecimento é necessário para si e para lidar com o outro.

 Apropriação da norma padrão da língua 

Considero este motivo essencial no que diz respeito às exigências formais da escrita e da leitura. Quando lemos, parece que assimilamos as regras de forma automática, mesmo que não as conheçamos teoricamente. Quem tem o hábito de ler, resolve questões de uma prova, por exemplo, com mais facilidade, porque a pessoa acha que vai pela lógica ou pelo que parece certo, pelo que faz mais sentido ou que "fica menos feio", mas isso é nada menos que a regra automatizada em sua mente.
Conhecer as regras é importante, ainda mais pra quem tem a necessidade da escrita acadêmica, formal, técnica, diariamente, entretanto a constância na leitura facilita muito as coisas.

Ampliação de vocabulário - ajuda a expressar melhor


Ler nos faz aprender novas palavras e seus significados, muitas vezes, sem olhar no dicionário, pois o contexto nos "induz" a descobrir o significado de algumas palavras, aumentando o nosso "vocabulário mental". Isto é importante porque facilita a comunicação e a compreensão. Quantas vezes, tivemos que explicar uma nova ideia, com palavras diferentes e mais detalhes pra sermos entendidos? Isso pode se dar por empregarmos palavras erradas em contextos errados, atrapalhando o entendimento claro na comunicação. 
Nem sempre conseguimos expressar em palavras (faladas, cantadas ou escritas) aquilo que pensamos e a falta de vocabulário pode ser o motivo ou aquele que dificulta a vida.

Aguça ao raciocínio e a criatividade

Este motivo pode decorrer dos anteriores, mas a leitura contribui para o desenvolvimento do raciocínio graças ao hábito de lidarmos com a interpretação textual com frequência por meio das leituras. A maioria das coisas, com um tempo, se reproduzem no automático em nossa mente. 
De igual forma é com a criatividade. Ler diversos tipos de histórias contribui pra que alimentemos nossa criatividade e, com a regularidade, ela acontece naturalmente. Além disso, quando lemos, criamos imagens, espaços, cenários, personagens, situações em nossa mente. Isso é uma magia deslumbrante!

Acalma e distrai

Antes de mais nada, não vejo nem defendo a leitura como algo que deva ser um mundo paralelo, não a ponto de a pessoa não ver mais graça no "mundo real" ou não desejar mais se sentir integrante dele. A leitura acalma e distrai. Problemas sempre temos e, muitas vezes, só nos resta esperar. Para a ansiedade não tomar conta, a leitura pode ser uma fuga muito saudável.
Obs.: Uma pessoa diagnosticada com ansiedade tem dificuldade de se concentrar e ler um livro, por exemplo, não é disso que estou falando aqui, pois entendo o quanto uma leitura poderia ser quase impossível neste caso.

Traz novas experiências - te leva sem precisar ir

Além disso, podemos "ir a lugares", "visitar culturas" diversas por meio da leitura. A descrição desses assuntos, até em histórias fictícias, nos permitem isto. Por exemplo, o livro "A cidade do sol", é uma história fictícia, mas o autor descreve lugares, costumes, modos de falar do oriente médio, isso é fabulo!


Anula a solidão

Com a leitura, você não se sente só. Quando se ama ler, tudo o se quer é um lugar sem ninguém e com silêncio. Quantas pessoas não choram, sonham, se envolvem com os personagens ou com experiência, com a descoberta que as leituras proporcionam? Não tem como viver solitário quando se tem um livro por perto, seja em condução, viagens longas, em casa sozinhe etc.

Eleva a autoestima

Quando lemos, os sentimos mais inteligentes, mais sábios ou, ainda que mais ignorantes por entendermos que ainda precisamos saber muito, entendemos que estamos no caminho certo, da evolução, da busca pelo conhecimento, da dúvida, das perguntas. Ler nos dá essa sensação de "estou sabendo um pouco mais sobre tal assunto" ou "caramba, eu fui capaz de descobrir isso" ou "desconstruir aquilo".  Não existe sensação melhor durante uma leitura!!


Exercita os neurônios

De todos os motivos anteriores e do próximo, sou prova viva dos resultados que a leitura proporciona. Este, confesso que já ouvi falar diversas vezes, mas não me recordo da fonte. Então, quem lê exercita seus neurônios e tem mais dificuldade para ter problemas como o alzheimer, problemas de memória ao longo da vida, claro, quando a pessoa não tem  uma tendência a ter essas doenças.
Então, viva mais tempo com qualidade, leiaaa!!


 Viver melhor

Todos esses motivos contribuem pra que vivamos melhor conosco e com os outros. Parece piada que a leitura cause tudo isso, mas é verdade! Ela é empoderadora, emancipadora, contribui para que sejamos livres e autônomxs, saudáveis, compreensivos, menos estressadxs e impulsivxs.
Faça a prova disso e seja feliz!


sexta-feira, 1 de março de 2019

Desafio fevereiro - "Armadilhas ficcionais: modos de desarmar" e "Persépolis"

Mais um mês, desafio duplo cumprido novamente! ✔✔
Para o #desafio1livropormês escolhi "Armadilhas ficcionais: modos de desarmar", sob a organização de Carlinda Fragale Pate Nuñes. 

                     

Este livro foi indicação do meu professor para ajudar na minha pesquisa sobre poesia e canção, aproveitei o embalo e uni o útil ao agradável. Ele é mais teórico, o terceiro livro de uma série, sendo a primeira "As partes da maça: visões prismáticas do real"; a segunda, "Forçando os limites do texto - estudos sobre a representação".
A obra compõe 6 artigos científicos, desenvolvidos por professoras diferentes, dentre elas a organizadora (parando pra pensar, li mulheres duas vezes neste mês *...*). As autoras apresentaram brevemente e examinaram romances narrativos, com a proposta de mostrar armadilhas que a ficção prega aos leitores e mecanismos para que estes não se deixem levar pelo jogo textual, não se permitam induzir para o que o texto propõe, mas que eles devem jogar o jogo textual como quiserem. Eu achei isso extremamente deslumbrante, porque criticar um romance, no que diz respeito a interpretação e a criação de novos caminhos, reafirma a literatura como algo libertador, sem amarras e livre para a emancipação e criatividade humanas.
Elas trouxeram conceitos como mímeses, que, a grosso modo, seria uma imitação da realidade, mais utilizado no período clássico; e performance, esta vai além da mímeses, levando em consideração que o autor não é isento de influências mil para interpretar uma realidade, assim, a intertextualidade, as referências estão sempre presentes na performance. Na primeira, existe uma observação da realidade e sua experimentação; na segunda, o que há é uma interpretação questionada, tem a interferência do autor pelas suas memórias do que seja a natureza (a realidade, que não é algo dado, é um "processo de autorrealização"), o que caracteriza a literatura moderna, segundo as autores e seus autores de base. 
A apresentação foi feita pela organizadora, introduzindo o livro e os assuntos dos quais as autoras tratariam no decorrer dele. O primeiro artigo foi da autoria de Maria Antonieta Jordão de Oliveira Borba, com o título "Construções do objeto estético: as relações entre mímese/performance e schema/correção", foi o mais conceitual, acredito que para servir de base para melhor entendimentos dos capítulos a seguir.
O segundo é de Carlinda Fragale Pate Nuñez, "Jogos fictícios na Veneza de Thomas Mann", focando nas questões dos jogos textuais e a relação autor/narrador, leitor/texto. O terceiro de Fátima Cristina Dias Rocha, "São Bernardo e Sargento Getúlio: vozes e gestos em contraponto", achei muito interessante a abordagem de autorretrato e autobiografia, além de citar que a narrativa é "recompor a vida pela linguagem". 
O quarto foi de Ana Lúcia Machado de Oliveira, "Sobre a configuração Babelbarroca da prosa minada de Haroldo de Campos", destacando o resgate do autor aos modos de escrever e interpretar seiscentistas, em sua obra "Galáxias", com a questão da dobra, das multiplicidades, intertextualidade, finalizando a ideia de que o texto se constrói no outro, citando Campos, o autor vai se eximindo para dar lugar a um "outro devir", o leitor.
Parece óbvio, mas é importante destacar que jogo textual e suas imposições, bem como o jogo que o leitor escolhe jogar, estão inerentes à língua literária, à forma como o texto é escrito e nas artimanhas que o texto traz. No quinto artigo, de Ana Cristina de Rezende Chiara, "Lori lambe a memória da língua", isso fica bem claro, já que a ponografia infantil passa a ter outro viés interpretativo, segundo sua defesa sobre o livro de Hilda Hilst. Além disso, este foi o texto super interessante, que mais me deslumbrou! Essa professora arrasa mesmo!
E o último, não menos interessante, é de Sílvia Regina Pinto, "Desmarcando territórios ficcionais: aventuras e perversões do narrador". Enfatizou a questão da narrativa e seus tipos de narradores (clássico, moderno, jornalista, testemunha do olhar e performático); da linguagem, afirmando que o processo mimético deve ser democrático, bem como a liberdade para a produção de significados.
Bem, foi isso! E eu amei o livro! Alimentou mais a minha paixão por literatura. Ficou um pouquinho grande e teve mais forma de resenha, mas foi necessário.

#desafioleiamulheres deste mês era uma História em Quadrinhos (vulgo, HQ). Tava desesperada tentando achar uma, porque só conhecia uma e queria ler algo diferente, até que pedi indicação no Facebook e tive ótimas recomendações, achei algumas online, escolhi ler "Persépolis", de Marjane Satrapi.

                

Geeenntee, que história maravilhosa! Li em um dia. Satrapi juntou algumas coisas que gosto muito: autobiografia, história em quadrinhos, política, ditadura, revolução, feminismo, personalidade forte... Aaai.. tô em êxtase! A partir de hoje vou ler mais HQ. É bom demais!
Vamos à história de fato. Marjane conta sobre sua vida, a princípio, no Irã (antes chamado Pérsia). Ela era neta de um imperador da Pérsia, que foi derrubado pela oposição. O período que ela descreve é a guerra entre o Irã e o Iraque, além dos países do ocidente, que queriam o território do Irã por causa do petróleo, principalmente. Existiam ainda as brigas religiosas e as guerras civis por causa da opressão, da ditadura e da violência sofrida por qualquer motivo.
Marjane cresceu em uma família politizada, embora seus pais não tenham sido tão engajados como seu avô e seu tio, este foi preso, torturado, exilado, eles educavam-na para ser livre, lutar por liberdade e se emancipar, ainda que não fosse no Irã, já que lá tinha costumes tão rigorosos sob pretexto religioso, mas as regras eram mais de cunho moral.
A menina sempre foi a rebelde, questionadora, era expulsa das escolas, desde criança queria lutar por seu país e fazer justiça. Devido a isso, seus pais acharam melhor enviá-la à Áustria para que não acabasse presa, torturada e morta em seu país de origem. Lá, ainda adolescente, "comeu o pão que o diabo amassou"! Coitada. Não se adaptava, sofria preconceito, tava sempre se mudando, teve  amores, desamores, decepções, depressão, perdeu seus princípios, não se reconhecia mais e estava sozinha.
Até que resolveu voltar à sua terra. Fez faculdade de artes gráficas (belas artes), casou, descasou e partiu, novamente, agora, para França, onde fez seu livro, ganhou prêmios e foi autora da primeira HQ iraniana.
A personalidade de Satrapi é admirável, ainda que errasse, reconhecia isso e buscava melhorar. Acreditava que a grande causa das guerras no Irã e da revolução era a desigualdade de classes, ela queria acabar com isso. Com  o passar do tempo, percebeu que as questões de gênero em seu país eram absurdas, o que contribuiu muito para que ela fosse embora. Sempre questionava professoras, guardas, freiras, colegas de classes, colocando em xeque os padrões sem sentido impostos pelo governo, que só violavam e emburreciam as pessoas, para que o foco da revolução fosse desviado, afinal, as pessoas deveriam se preocupar mais com as punições que sofreriam com a violação de leis sobre vestimentas, festas, bebidas, namoro do que com seus direitos à liberdade, de ir e vir, de expressão, orientação sexual, enfim.
Satrapi se tornou a minha mais nova referência literária!
Pra quem quiser, segue o link do livro em PDF, lembrando que no site da Amazon ele tá baratinho ;)

É isso, pessoal! Bjs..

Mais uma vez, seguem os links dos desafios literários:



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

"Antígona" - Sófocles



Eu sou apaixonada por mitologia, ainda mais a grega! Então foi uma leitura bem tranquila. Para alguns, "Antígona" é parte de uma trilogia (Édipo rei; Édipo em Colono; Antígona), pois conta a história da família e são todas da autoria de Sófocles, porém não é, pois não existiu essa intenção vinda de continuidade vinda do autor, e não escreveu as tragédias nessa ordem. No entanto, na minha opinião, funcionaria muito bem :-)
O mito tem Antígona como protagonista, filha de Édipo. A trama se dá em torno da própria querendo cumprir uma lei divina, de enterrar seu irmão e fazer suas honras fúnebres, porém, fazendo isto, ela violaria a lei criada por Creonte, seu tio, atual rei da cidade de Tebas. 
(Contextualizando...) Polinices e Etéocles eram os irmãos de Antígona e Ismene, todos filhos de Édipo e Jocasta. Eles se revesavam no reinado, um ano sim outro não. O segundo reinou seu ano e, no ano seguinte não queria entregar o trono ao primeiro, então, este montou um exército, guerreou contra seu próprio irmão e seu povo. Os dois morrem na batalha. Aí, começa o enredo.. Creonte achou um desaforo e total desrespeito o que Polinices fez, assim, proibiu qualquer honra fúnebre a ele, no entanto, quem o fizesse seria devidamente punido.
Antígona preferia respeitar a ordem dos deuses do que de seu tio, tirano, fazendo o que ele achava que devia, e não era uma decisão popular. Isso custaria a sua vida, mas ela não se importava, sua honra estava em agradar aos deuses, morrer, se fosse o caso, mas era essa sua preferência. O que indignou Creonte, por ele ser o rei, tio dela e homem, sentiu seu ego ferido e desacatado. 
É um mito curtinho e se desenrola no julgamento de Antígona e sua punição por ter desrespeitado a ordem do rei, que não se importava com o abuso de poder que exercia, só queria cumprir sua palavra diante do povo.
Eu amo essa tragédia, pois ela traz questões sobre o machismo, mesmo que esse conceito não fosse reconhecido e entendido na época, além disso, protagoniza uma mulher corajosa, determinada, para muitos, arrogante, prepotente, mas, para outros, "revolucionária".

Um abraço! Leia mitologia grega *...* 


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Desafio aceito! "Bíblia em ação" e "O recomeço" - Janeiro


Para de preguiça e leia tudo! 
Aaaa.. antes de mais nada, te desafio a ler também!! Janeiro já passou, mas você pode começar o desafio agora!
Após ver uma postagem da minha professora maravilhosa, Vanessa Reis (o link do blog dela segue no final deste post), que falava sobre o desafio literário duplo, então, resolvi aceitar o desafio também (duplo, é claro, se não, não seria eu). 
Ele consiste no #Desafio1LivroPorMês e #DesafioLeiaMulheres, o que quer dizer?? O óbvio! O primeiro, ler um livro por mês, não importando de qual gênero ou autorxs*; e o segundo, um livro de uma autora por mês, porém, há regras. Ao fim, colocarei os links dos desafios para entender melhor.
Vi o post da minha professora no finzinho de janeiro, quando já tinha lido dois livros (Opa.. salvei um desafio ✔), depois desses dois, tinha começado a ler um livro de autora, mas não era um livro clássico, como mandava o desafio. Então, pra não perder o mês de leitura, troquei pelo mês de dezembro, que será uma escolha livre de gênero literário.
Desde já, afirmo que não é fácil conseguir ler 2 livros por mês! Quem me conhece sabe o quanto isso é mole pra mim, porém, reconheço o quanto é difícil, ainda mais pra quem não tem o hábito de ler. E aí vai mais uma afirmação: não é impossível!! Em breve, vou postar dicas pra se tornar "viciade*" em leituras e por que ler faz tão bem.
Eu entrei no desafio porque com a faculdade, trabalho, treino, família, amigos e blá, blá, blá, fica quase impossível manter uma rotina de leitura além daquelas exigidas academicamente e o desafio serve pra motivar

Todos os meses (e retomando meu blog, finalmente <3, quase que o Google cancelou minha conta ¬¬') postarei um resumo, resenha ou comentários sobre os livros que lerei (como eu já fazia antes, aliás, fuxique meu blog todo!!). Como farei a seguir:

No mês de janeiro, cumprindo o desafio 1 livro por mês, li "Bíblia em ação: a história do mundo", de Sergio Cariello.

        

Essa vai para os amantes de quadrinhos e histórias da bíblia. Como eu amo os dois, foi perfeito!
A linguagem é bem mais acessível, compreensível, interessante, já que tem figuras (rs, aliás, os desenhos são maravilhosos!! Eu realmente viajei). Cabe ressaltar que a história, as falas, não seguem à risca como está na Bíblia, nem abrange a todas elas, além de ter acréscimos do contexto histórico da época, o que tornou mais interessante, e isso foi pontuado pelo autor (um ponto pra ele pela ética! [Palmas]).
Algumas coisas podem acabar sendo deturpadas, na minha opinião, mas respeito opiniões divergentes, é sempre bom ler algo diferente para que o senso crítico esteja sempre apurado. Além do mais, essa é mais uma versão da bíblia, loooogo, isso é bem comum.
Li mais rápido do que imaginei (são mais de 700 páginas), mas por ser em quadrinhos facilitou muito. Adorei e recomendo!!

Cumprindo o desafio leia mulheres, li "O Recomeço", de Gleise Sátiro (Minha amiga da faculdade, vale ressaltar!).
     

Olha, este livro... Me surpreendeu! 
É um romance fictício, cuja protagonista é Lívia, mais conhecida por Liv. Ela achou um cachorrinho de rua que mudou sua vida, aposto que é o sonho de consumo de qualquer ser humano (óbvio, pra quem vive a história de um livro como eu... como se fosse a biografia de alguém ¬¬'). Você deve estar se perguntando: "por quê?", pois eu respondo. Seguindo, ela achou o cachorro, levou ao veterinário, que se tornou o amor da vida dela! Porém, há um mistério com esse cara, que a gente só descobre depois da metade do livro! O.o Que eu não vou contar, claro! Odeio spoilersss!!
Enfim, Lívia mora sozinha, é formada em química, tem 25 anos ¬¬' (e já começo a invejá-la!), encontra o cãozinho e o nomeia Barry. Tem uma amiga muito louca, Babi, esta namora o Tony, aliás, a amizade deles é linda, principalmente, entre ela e a Bárbara! A história contém ainda como personagens os pais de Liv, de Carlos (o veterinário), além de porteiros, colegas de trabalho, pessoal de balada, enfim..
Lívia tem sonhos sobre o passado que a perturbam, ela fica muito mal com eles, foi uma ausência que ela superou, na verdade, jogou pro subconsciente, e, claro, como tudo de que fugimos e jogamos pra lá, traz consequências, sintomas de que algo está errado dentro de nós, da nossa mente mirabolante! Aí, Carlos aparece, contribui para essa superação, porém, o próprio indivíduo faz o passado dela voltar à tona, destruindo tudo, arrancando violentamente a casca da ferida da menina, que ainda estava mal cicatrizada. 
E o fim dessa história?! Só lendo o livro!

Por hoje é isso!!  Aceito críticas, comentários, dicas, isso aqui é nosso! Bjos.

*Sou dessas que usa termos de indefinição pra me dirigir a pessoas sem determinar seus sexos ou gêneros, como "viciade" ao invés de "viciado" ou "viciada".


Links prometidos no começo do post:


terça-feira, 16 de agosto de 2016

"Em briga de marido e mulher, o Estado deve meter a colher: políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica" - Luciene Medeiros


          




Vinte anos se passaram da promulgação da Constituição Federal de 1998 e, de certa forma, ainda vivemos na "corda bamba", tentando consolidar conquistas, equilibrando-nos, tendo como norte a utopia de uma cidadania completa, embora saibamos que só teremos a cidadania possível. Pode-se avaliar que muitos avanços foram possíveis, graças à combinação da existência de grupos organizados de mulheres, com demandas bem fundamentadas e amadurecidas no ativismo e na reflexão teórica, com a capacidade de estabelecer articulações nacionais e internacionais. É essa característica dos movimentos de mulheres que nos possibilita manter acesa a resistência contra os fundamentalismos e não perder o rumo da caminhada.
Fala de Basterd (2008, p. 149) extraída desse livro.

Essa fala sintetiza o primeiro significado deste livro para mim: incentivo à resistência e à luta das mulheres pela conquista e efetivação de seus direitos.
O foco da autora é tratar a questão violência doméstica, mas esta envolve muito mais assuntos do que eu imaginava, e, aqui, a autora desenvolve muito bem sua metodologia, esclarecendo o contexto dessa realidade.
Inicia explanando sobre as bases que veiculam e afirmam a prática e o discurso da sociedade desigual/machista, no Brasil, que subalterniza as mulheres. A partir disso, explica, brevemente, o que são políticas públicas e como funciona a definição da agenda pública e sua primordialidade na garantia de direitos.
Dando continuidade, apresenta os movimentos de mulheres e feminista e sua importância na conquista dos direitos das mulheres, demarca duas grandes ondas desses movimentos, a primeira, aproximadamente, a partir de 1930 a 1970 e a segunda, a partir de então, com marco nas eleições de 1982, evento essencialmente importante para esses movimentos e à criação de mecanismos que definissem a agenda e conquista de direitos.
A autora traz, de modo especial, o que acontecia nos bastidores da política, nas câmaras, na Alerj, nos conselhos, nos partidos, o que foi muito interessante, já que não é uma área de conhecimento que muitos têm acesso e é importantíssimo saber o que acontece nessas instâncias. Mostrar isso, foi importante para que se já comprovado que todos os direitos conquistados hoje, principalmente, os das mulheres, não foram e ainda não são conquistados e garantidos de "mão beijada". Houve e há muita luta, resistência, abstenção, sofrimento particular para um bem geral.
A autora destaca ainda a Lei Maria da Penha, o porquê de sua existência, a quantidade dos casos de mortes e das violências significativas contra mulheres, que geraram afinca luta em busca de um sistema legal e prático que garantisse a segurança da mulher e o acesso a seus direitos em todos os âmbitos.
Finalizando, Luciene enfatiza sobre a criação, desenvolvimento e luta pela manutenção das Delegacias de Atendimento à mulher (Deams), o Conselho de Direito das Mulheres (Cedim), o Conselho Estadual e Nacional e demais conquistas como a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, o Centro Integrado de Atendimento às Mulheres (Ciam), os Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres (Niams), a importância das Conferências Nacionais de Políticas para as Mulheres com seus Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres pela  implementação e operacionalização dos direitos das mulheres.

Eu amei o livro e super recomendo!! A autora foi minha professora na graduação e sei sobre a sua luta e o quanto dedica esforços e estudos nessa área. Para os que julgam o movimento de mulheres e o movimento feminista e até mesmo sobre a existência do machismo, metas vezes, invizibilizado da nossa sociedade, deveriam ler para que entendam que a nossa luta diária não é "mi mi mi", não é "falta do que fazer" ou "falta de homem", lutamos por respeito e pelo nosso lugar de direito na sociedade. 


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Movimente-se

(...) Há poucas pessoas no mundo que eu ame de verdade. (...). Quanto mais conheço o mundo mais me sinto insatisfeita com ele; e a cada dia se confirma a minha crença na incoerência de toda personalidade humana e na pouca confiança que podemos depositar na aparência de mérito ou de razão.

Essa fala é de Elizabeth Bennet, personagem protagonista do livro "Orgulho e preconceito", de Jane Austen, escritora inglesa.
Esse é meu dilema atual e acredito que de muitos integrantes dessa nossa sociedade que "desce ralo abaixo". O mundo está um caos, as pessoas caminham sem saber para onde vão e o que buscam, o desrespeito existe desde as relações entre Estado e sociedade até as familiares e de mínima convivência.
Porém, reclamar sem sugerir e buscar solução é falácia, não muda nada, só conforma e desgasta. Cabe ressaltar que essa não é uma reprodução de fala do capitalismo, que mais exclui do que inclui e de um Estado que se desresponsabiliza de suas obrigações e culpa o lado mais fraco dessa correlação de forças, que somos nós, a classe trabalhadora, pobre e à margem da sociedade.
Essa massa, que é a maior parte da população, precisa se conscientizar do poder que possui e executá-lo, de que a classe média não está do nosso lado e só busca por interesses próprios, além da reconquista de seus espaços na sociedade que só afirmam a nossa perpetuação como desiguais e "excluídos", de que se nos unirmos esse país e suas relações podem ser alteradas sim!
Questione o que tem feito para essa realidade mudar e não apenas reclame e julgue.
"A esperança é a última que morre"! Nunca vou deixar de acreditar no ser humano e na sua força, enquanto protagonista da sua realidade.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Formalidade machadiana

Amável Formalidade, tu és, sim, o bordão da vida, o bálsamo dos corações, a medianeira entre os homens, o bálsamo dos corações; tu enxugas as lágrimas de um pai, tu captas a indulgência de Profeta. Se a dor adormece e a consciência se acomoda, a quem, senão a ti, devem esse imenso benefício? A estima que passa de chapéu não diz nada a alma; mas indiferença que corteja deixa-lhe uma deleitosa impressão. A razão é que, ao contrário de uma bela fórmula absurda, não é a letra que mata; a letra dá vida; o espírito é que é objeto de controvérsia, de dúvida, de interpretação, e conseguintemente de luta e de morte.
Trecho de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", em que o personagem Cubas observa como após a morte de D. Eulália, seu pai, Damasceno, teve que enfrentar a vida, segundo ele, graças a "amável Formalidade".
Passei amar Machado não por convenção ou "modinha", nem porque ele é o ícone da literatura brasileira, e sim, porque ele é cômico, reflexivo, educador e me faz sentir conversando com ele enquanto leio suas obras.